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terça-feira, 3 de julho de 2012

Ana Correia, de Colos, entre os alunos de Odemira representam Portugal em competição sobre Ambiente nos EUA

Estudantes do Clube de Ciências Bigeo destacaram-se no 6.º Concurso de Jovens Cientistas e garantiram o passaporte para a Genius Olympiad 2012. Estiveram no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.
 Seis alunos da Escola Secundária de Odemira representaram Portugal na Genius Olympiad 2012, uma competição internacional de projectos escolares na área do Ambiente, que decorreu entre 24 e 29 de Junho nos Estados Unidos.
Os alunos são os autores dos dois únicos projectos portugueses que integram o lote de 248 projectos seleccionados para participar na Genius Olympiad 2012, que se realizou na cidade universitária de Oswego, no estado de Nova Iorque.

Lúcia Martins, Daniel Silva, Marlieke Pronk, Ana Correia (Colense), Milene Ramires e Mónica Raposo fazem parte do Clube de Ciências (Bigeo) da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, de Odemira, e que candidatou os projectos através da Associação Juvenil de Ciência.
Os alunos “estão muitos honrados e entusiasmados” com a participação porque “é uma competição mundial de ciência” entre “os melhores jovens cientistas do mundo”, disse a coordenadora do Bigeo, a professora Paula Canha.
Por outro lado, contou, os alunos “estão a sentir a responsabilidade de representar Portugal, mas também de estarem à altura dos colegas” dos três grupos da Escola Secundária de Odemira que participaram em edições anteriores da competição e todos trouxeram medalhas para Portugal, “o que é bastante difícil”.
Os dois projectos portugueses seleccionados para a Genius Olympiad 2012 já foram premiados no 6.º Concurso de Jovens Cientistas realizado no âmbito da Mostra Nacional de Ciência, que decorreu em Lisboa, nos passados dias 31 de Maio e 1 e 2 de Junho.
O projecto “Impacto da flora invasora nos ecossistemas ribeirinhos em Odemira”, da autoria de Lúcia Martins, Daniel Silva e Marlieke Pronk, recebeu o 2.º prémio do 6.º Concurso de Jovens Cientistas, no valor de 1200 euros. Graças ao projecto, os três alunos foram convidados a representar Portugal no 24.º Concurso Europeu para Jovens Cientistas, que irá decorrer entre 21 e 26 de Setembro deste ano em Bratislava, na Eslováquia.
O projecto “Recuperação de áreas invadidas por Acacia longifolia em Odemira”, da autoria de Ana Correia, Milene Ramires e Mónica Raposo, recebeu uma menção honrosa.
Dois anos de muito trabalho, dois anos em que aprendemos muito", garante Milene Ramires. A professora Paula Canha coordenou, uma vez mais, os passos dos estudantes. "O nosso projecto tem alguma importância porque, actualmente, a acácia, que é uma espécie invasora, é a segunda causa da perda de biodiversidade a nível mundial. E sendo uma espécie invasora, é uma planta exótica, ou seja, não é originária do nosso país e reproduz-se muito rapidamente, competindo com as plantas nativas (originárias do nosso país), pelo seu habitat", adianta Milene Ramires. Os três alunos decidiram então tomar medidas para que a invasora acácia não "roubasse" o habitat de uma planta endémica em vias de extinção - o plantago almogravensis.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Colenses da História - António Brito Paes Falcão


Foi numa manhã de nevoeiro, em Abril de 1924, que António Brito Pães Falcão – juntamente com o eterno companheiro de aventuras, José Manuel Sarmento de Beires – descolou de Vila Nova de Milfontes no seu Breguet. A bordo do “Pátria”, partiu para aquela que foi, na altura, a maior aventura do mundo: ligar Portugal a Macau, no extremo oriente do globo, por via aérea. Afinal, a aventura foi sempre o tónico de António Brito Paes Falcão ao longo da sua vida. Nascido a 15 de Julho de 1884 em Colos, cedo enveredou pela carreira militar, servindo o exército português. Primeiro, em Moçambique e Angola, depois em França e na Flandres, durante a primeira Grande Guerra Mundial.
Romântico inveterado e pioneiro do risco, tirou o brevet de piloto e esteve umbilicalmente ligado aos primeiros passos da aviação militar em Portugal. Em 1922, sem autorização do ministro da Guerra, partiu a bordo do decrépito “Cavaleiro Negro” e tentou um voo directo à Madeira, orientado unicamente por uma bússola, mas o nevoeiro fê-lo cair ao mar, de onde foi resgatado por uma embarcação britânica. Os seus superiores censuraram-no por desobediência e louvaram-no por bravura. Cada vez mais afoito, seguiu-se a viagem até Macau, onde chegou a 20 de Junho 1924. Morreu a 22 de Fevereiro de 1934, da forma mais irónica possível. Depois de ultrapassar e sobreviver às maiores aventuras da época, António Brito Paes Falcão não resistiu a um embate de aviões, provocado por… encandeamento solar. O homem que, contra todos os azares e obstáculos, sobrevivera aos combates da Flandres, que escapara da aventura aérea do voo à  Madeira, que resistira à longa e perigosa viagem a Macau, perecia num estúpido embate de aviões. 
No dia 6 de Abril de 1935, o corpo foi transladado de Lisboa para Colos, em cujo cemitério repousa. À partida do préstimo, esteve presente outra glória da aviação portuguesa: Gago Coutinho. Nesse dia, segundo estimativas do periódico Vida Alentejana, afluíram a Colos mais de 10.000 pessoas, provenientes de todo o distrito. O mesmo semanário (dirigido por Pedro Muralha), chamou então a Brito Paes, em caixa alta, "um herói e um santo", significando a sua coragem física e moral, os seus feitos de armas, o seu pioneirismo aventuroso, a sua nobreza de carácter.
A magnífica epopeia destes dois pioneiros do principio do século não deve ser esquecida, a participação Portuguesa alcançou aqui uma posição de especial relevo. Destacaram-se, então, Brito Paes e Sarmento Beires, que com a sua coragem e dedicação realizaram notáveis feitos em prol da Aeronáutica e da Pátria, os quais melhor apreciaremos se tivermos presente os tempos difíceis que se viviam em Portugal e o limite dos recursos existentes.
 Temos nós, Portugueses, feito justiça a esse grupo de aviadores que iniciaram uma epopeia levando por ar a "CRUZ DE CRISTO" outrora orgulhosamente exibida nas velas que cruzaram os Mares ?

"Habitantes de um País pequeno, pobre e ignorado,
o culto do passado não é um pretexto
para nos envaidecermos com o que já fizemos,
e nos dispensarmos do trabalho de nos levar a fazer
mais alguma coisa…
Receando que nos chamem vaidosos, deixamos
na sombra o que já fizemos e que mais tarde vem
a ser atribuído aos outros…
Assim tem sido sempre, já mesmo no tempo antigo
das nossas descobertas oceânicas,
tão mal apreciadas, lá fora."


Almirante Gago Coutinho