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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quarta Feira de Cinzas - Morte e queima do entrudo em Colos

Colos assistiu na noite de 22 de Fevereiro, quarta feira de cinzas, a um espectáculo que não era realizado há muito na nossa terra: o Julgamento e Morte do Entrudo.
Edição quase espontânea, na sequência das recentes brincadeiras de Entrudo, e apesar da noite fria o público respondeu à chamada e foram cerca de 50 as pessoas que assistiram ao desfile pelas ruas da terra e ao desfecho do julgamento com a queima do entrudo.
Este sim, uma verdadeira parte do tradicional Carnaval português, 100% português, Entrudo como os antigos lhe chamavam, a “queima do entrudo” foi em tempos remotos uma tradição popular da região.
O entrudo, normalmente simbolizado por um boneco grotesco e personifica o carnaval deve ser julgado e queimado na quarta feira de cinzas.
O ritual foi cumprido: antes do cortejo leu-se o testamento, que com alguma sátira e boa disposição teve como alvo algumas pessoas e situações passadas na nossa terra ao longo do ano.
O “senhor prior” leu o testamento e de seguida teve lugar ao desfile, sempre com a viúva gemendo de lamentação pelo falecido.
No final sucumbiu às chamas após o seu julgamento.




 


 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Morte da Eira da Lagoa - Eterna recordação dos colenses com memória

É carnaval, ninguém leva a mal, é o que se costuma dizer, mas o que é certo é que uma brincadeira de carnaval na antiga e saudosa Eira da Lagoa ( agora mais conhecida como Jardim do Betão), já causou incómodo a algumas pessoas, vá-se lá saber porquê.
Bem, o que é certo é que nas condições em que está o antigo espaço da Eira da Lagoa, de eterna saudade, com as obras a arrastarem-se indefinidamente, há até quem diga que já estão acabadas, sim, porque isto para o que não tem remédio, remediado está, diz o povo, mas o que é certo é que a Eira, tal como a conhecíamos morreu em 2009 com o inicio dos trabalhos de destruição e descaracterização desta parte da nossa terra.
Como forma de brincadeira, e nesta coisa das brincadeiras por vezes despertam-se consciências, alguém se lembrou de colocar alguma placas a evocar o antigo espaço, em forma de lápides memoriais, como se de um cemitério se tratasse, e para dizer a verdade, aquilo ali em certos sítios até faz lembrar um cemitério sim senhor. E os "lagos", onde deveria haver água e peixinhos, só de papel e em desenhos.

Brincadeira ou não, a verdade é que passados 3 anos sobre o inicio das obras o espaço anteriormente conhecido como "Eira da Lagoa" morreu, desapareceu, sumiu-se, e agora nem para ali passear serve, não serve para nada, é o que é, digam o que disserem.
Podem até fazer alguma obras de acabamento, algumas varandas e varandins, mais tijolo menos tijolo, mais isto ou aquilo, o que é certo e sabido é que mais de meio hectare de terreno público que podia e deveria ser aproveitado com o máximo de cuidado e sabedoria em prol do bem estar e lazer da população de Colos foi dizimado, exterminado, limparam o sebo à nossa Eira da Lagoa e ninguém fez nada.
Já diz o povo, sempre o povo, "o que nasce torto nunca mais se endireita".
Não estivássemos nós no pacato Baixo Alentejo e já alguns protestos mais ruidosos se teriam feito ouvir, atrevo-me mesmo a pensar que o espaço, tal como está, seria vandalizado sem dó nem piedade, e por mim penso que seria muito bem feito, pois eu sou daqueles que penso que apenas a total destruição do que está feito abriria caminho a nova obra. Olho por olho, dente por dente!

A pergunta que toda a gente faz, eu pelo menos faço, é para quê uma obra destas em Colos? Mas por acaso alguém parou para pensar que aquele projecto nada tinha que ver com a terra em questão? Por acaso o arquitecto, ou lá o que seja, que desenhou e projectou aquilo alguma vez visitou Colos, alguma vez visitou o espaço em questão? Para quê aquele campo de jogos por cima dos telhados das habitações, será que vai servir para alguma coisa algum dia? As pessoas esperavam era espaços verdes, sobras, onde estão os espaços verdes, os passeios, os canteiros para flores, as árvores, o espaço para caminhar, para descansar, para estar, simplesmente para estar, onde está o espaço que nos faça lembrar que estamos no Alentejo e não num qualquer arrabalde de grande cidade?

Amigos e leitores, a Eira da Lagoa morreu mesmo em 2009, fica a lembrança de todos, vive na recordação daqueles que, como eu, tivemos o previlegio de ali correr e brincar sem medos de encalhar em algum bloco de betão, sem medos de armadilhas escondidas ou cair em algum buraco traiçoeiro, as crianças de agora já não podem dizer o mesmo.