sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Team Colos TT / Sociedade Recreativa Colense - Participação no 2º Troféu TT Lontras do Mira / Dia 19-12-2010 / Rescaldo

Realizou-se no passado dia 19 de Dezembro o 2º Troféu TT Lontras do Mira, uma prova de resistência para motos de duas e quatro rodas.
A equipa colense Team Colos TT / SRC esteve, pelo segundo ao consecutivo, presente com alguns pilotos de Colos, marcando presença em três das quatro classes em corrida.
Os pilotos foram: Ricardo "Boga" Loução na classe 250cc, Fernando "Fraquito" Martinho na classe de Moto4 / quads e André "Andrézinho" Correia na classe 450cc.
Foi um dia muito bem passado, muito divertido apesar de tudo, muita convivência e amizade, aliás, a participação do Team Colos TT começou logo no dia anterior, sábado, com o levantamento da "barraca" / boxes, onde iríamos passar o dia de domingo.
A enorme batelada de chuva que caiu dia 18 fazia prever muita lama, e assim aconteceu, o percurso era muito bom, fora a parte em que foi "inventada" uma zona para o espectáculo e que a organização resolveu lavrar a terra com uma grade de discos, o que com a imensa chuva ficou um pesadelo de lama para todos os pilotos.
A prova a mim, pessoalmente, correu super mal, grande azar, logo na segunda volta parti um terminal de direcção e fui obrigado a desistir para grande pena minha quando o meu objectivo era simplesmente chegar ao fim.
O dia de sábado foi de chuva intensa e o percurso ficou ultra molhado e escorregadio, a lama era mais que muita em certos sítios, mas era divertido.
A organização, depois de muitos pedidos resolveu-se anular uma zona do percurso, aquela que eu já tinha referido que não fazia lá falta nenhuma e onde a lama era mesmo muita, os quads simplesmente não passavam, ficavam atolados na lama e não subiam. Depois de alguns pilotos terem ido experimentar ainda na volta de reconhecimento quase todos pediram para anular aquela zona e a organização, bem, decidiu-se pela maioria.
De qualquer maneira o resto do percurso era divertido mas com armadilhas, tinha descidas e subidas, zonas com muita água e lama, ganchos, mas também uma zona mais rápida e seca onde já dava para "enrolar a mão".
Eu começei a ter problemas com a muita lama nos punhos e nas luvas logo na primeira volta depois de ter andado algum tempo atrás de outro piloto que não consegui passar, na segunda volta os punho do guiador ficaram mesmo muito escorregadios e deixei de ter aderência na luvas, quando me preparava para passar junto à minha equipa e trocar de luvas, e logo numa das subidas mais inclinadas que se fazia aos saltinhos, tipo whoops, num trilho estreito e dentro de eucaliptos, a roda da frente do lado esquerdo embate num eucalipto e parte o terminar de direcção. Fim de história!
A corrida correu igualmente mal ao Ricardo "Boga" Louçã e ao André, aliás, o Team Colos TT teve o azar sempre presente. O Ricardo "Boga" foi para a prova com a sua Yamaha 250 com o pinhão de ataque quase desfeito, tinha apenas 4 dentes inteiros, valeu alguém ter reparado na situação e um outro piloto ter disponibilizado um pinhão novo para que o Boga alinhasse na partida, mas a muita lama foi fatal para as aspirações do jovem piloto colense, das 20 voltas previstas apenas completou quatro, ficando atolado numa zona muito difícil, cainda várias vezes da mota e sendo obrigado a desistir.
Na classe 450cc, o Andrézinho também esteve mal com a lama no mesmo local onde o Boga tinha desistido, depois de uma boa partida que a organização resolveu anular, na segunda partida o André nem consegui efectuar uma volta, ficou também atolado na lama com a sua Yamaha 450 e sendo obrigado a desistir para evitar males maiores para si e para a mota.
Uma palavra de apoio e um abraço a estes bravos pilotos colenses que, sem medos e participando, resolveram dar a cara e o corpo ao manifesto pela equipa de Colos, para o ano há mais rapazes, mais faz quem quer do que quem pode.

Em relação à organização, penso que o clube lontras do Mira precisam de se organizar melhor para fazerem esta prova com os mínimos aceitáveis, por exemplo: no dia antes, sábado, os espaços para cada coisa não estavam pensados, não se sabia bem onde ia acontecer o quê nem como, não sabiam para onde enviar as pessoas com as motos e as carrinhas, não se sabia bem onde era a partida nem como, etc, etc.
Para muita gente pode não ser importante este tipo de coisas, mas aposto que para as pessoas que vão participar é de relevo, ter espaços deliniados para colocação de boxes, ter um bom espaço para partidas, ter um percurso pensado para os pilotos e não para os espectadores.
Nada disso existia, o percurso era 5 estrelas, mas a zona "espectáculo", criada propositadamente para os espectadores, estragava tudo.
A partida não existia, não havia espaço suficiente, nem tão pouco sabiam como fazer as partidas, todas as partidas foram decididas pelos pilotos e em cima da hora, até a colocação das motos e quads não estava pensada pela organização.
A partida das motos de 2 rodas da classe 450, por exemplo, ás tantas a organização queria que houvesse alguém a segurar as motos e os pilotos a correr para elas.
Nos quads, a forma de verificação e controlo das voltas de cada piloto não estava estudada, a organização não sabia bem como fazer para controlar isso, os pilotos lá foram dizendo que o melhor era haver uma zona de paragem para limpeza do número de cada um e controle, enfim, muitas coisas e muitas situações indefinidas.
A questão do "corta não corta" uma parte do percurso foi outra situação engraçada, porque também foi decidida em cima da hora, na altura da partida, antes a organização não sabia bem se haveria de cortar ou não a zona de lama intensa para os quads, mesmo depois de vários pilotos terem alertado a organização, depois de terem ido experimentar e não conseguirem passar.
Este tipo de situação devia estar pensada e a organização devia saber o que fazer, mesmo sem ouvir os pilotos em cima da hora.
O engraçado disto é que todas as criticas são para coisas simples, ou relativamente simples, que com um mínimo de preparação e ordem eram perfeitamente calculadas e executadas.
Espero que para o próximo ano as coisas corram melhor para o Clube Lontras do Mira, são pessoal muito porreiro, só precisam de se organizar, desta vez correu tudo bem, mas tudo corre bem até um dia correr mal.

Quero agradecer a todos os que me apoiaram e ajudaram neste dia, à minha Equipa Team Colos TT / SRC, ( Sociedade Recreativa Colense), Casa Fraquito Lda, ao João Delgado, Paulo Martinho, André Correia, Diniz Batista, Franklin Loução, Miguel Ângelo, Ricardo Loução, Luis Matias e Sílvio Candeias.






quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Gerações - Meados dos anos 80

Mais uma geração de colenses, agora em meados dos aos 80, foto tirada junto à cruz no largo da Igreja Matriz de Colos. Junto ás crianças algumas caras bem conhecidas do catolicismo colense das últimas décadas.


 Passo a nomear os que consigo reconhecer:
Em cima, da esquerda para a direita: Padre Horta, Natália, Vanda, ?, Luis Fonseca
Ao meio: Mila, Freira, Hélder Candeias, Geninha, Fatinha, Maria Inês, D.Júlia, Petinha, Antonieta
Em Baixo: Fé, Nelson, Cláudia, Carlos Filipe, João Valério (Curruco), Miguel Ângelo, Nuno Piteira, Paulo Pacheco

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

2º Passeio Colos TT 2010 - Sociedade Recreativa Colense - Rescaldo

O dia amanheceu chuvoso, a noite tinha sido mal dormida, e já se ouvia chover desde as quatro horas da madrugada, confirmavam-se os piores cenários imaginados dias antes através das visitas às previsões meteorológicas, todas elas anunciavam chuva para a manhã de domingo dia 14, a data do 2º passeio TT Colos 2010. 
Depois dos últimos fins-de-semana terem sido de intensa azáfama envolvendo os preparativos no terreno para o passeio, corria-se o risco de o acontecimento ser um fiasco devido ao temporal. O dia anterior, sábado, tinha sido de marcações e colocação de placas indicativas ao longo dos 120Km de percurso que foi escolhido para este ano, e para quem pensa que estas coisas são simples de organizar e pôr em andamento, começo logo por dizer que só nas marcações, éramos quatro pessoas, gastamos três dias, cerca de 10Km de fita e 80 placas de indicação. 
Mas voltando ao dia do passeio, os meus receios eram completamente infundados, a afluência de participantes, quer em motos, quer em jipes, foi elevadíssima e para ajudar a chuva parou pelas nove horas da manhã, o nevoeiro que se começou a deixar ver por entre as serras fazia prever a continuação de um belo dia, começava-se a adivinhar um excelente passeio, a marca das 75 inscrições do primeiro passeio rapidamente foi ultrapassada, estava montado o palco para mais um sucesso da Sociedade Recreativa Colense. 
A partida teve de ser adiada porque as inscrições não paravam, e ao todo foram 106 inscrições entre motos, quads e jipes, o que revela bem a elevada confiança na nossa capacidade organizativa por parte de todos os participantes, e havia gente dos mais variados sítios, desde as aldeias e lugares mais próximos de Colos, de todo o concelho de Odemira, Ourique, Santiago do Cacém, e ainda participantes de Lisboa e Algarve, este é já um passeio TT de nível alto, que não se limita à presença dos participantes locais. 
Dada a partida verifico que a muita chuva afinal não danificou muito o terreno, e as estradas estão óptimas para a pratica do TT, passamos a Relíquias a bom ritmo e rumamos aos montes próximos do alto da Sr.ª das Neves, as primeiras subidas com grau de dificuldade para os jipes começam ai, as motos e quads já galgavam tudo o que ia aparecendo. 
No Monte da Estrada primeira paragem para reagrupamento das motos e quads, primeiro descanso para todos, primeiros comentários e primeiras notícias de desistências e avarias, a carrinha vassoura havia de recolher os azarados e as máquinas. Um ponto assente entre todos eram as excelentes marcações que não deixavam ninguém perder-se. 
Depois de reagrupar as motos e quads resolvemos não esperar pelos jipes, embora não fazendo descriminação de percurso entre motos e jipes, eles são sempre mais lentos e têm a sua maneira própria de fazer os passeios, a excepção era o Suzuki Samurai cor-de-rosa de tinha um andamento diabólico e conseguia acompanhar as ultimas motos sendo sempre o primeiro jipe a chegar aos pontos de encontro.
Continuando o passeio, fizemo-nos aos trilhos no sentido de Odemira, cruzando a Ribeira do Torgal numa zona lindíssima, por entre uma vasta mata selvagem junto à ribeira, com o cerro do castelo a servir de guia, por momentos fez esquecer que estávamos no Alentejo, mas parecendo um passeio nas serras do norte. 
Passando os fantásticos troços e trilhos da zona do Pego das Pias, rapidamente chegamos à Ponte do Sol Posto, cruzamos a Estrada Nacional 120, onde o pessoal dos coletes reflectores já cumpria o seu dever, encarregados de controlar o trânsito da estrada e assegurar a todos uma passagem em segurança, descemos por entre uma mata de eucaliptos até avistarmos o Rio Mira, ladeando as margens para depois chegarmos a Odemira, descansar, abastecer homens e máquinas, a primeira parte do percurso estava concluída com sucesso. 
Concentrados junto ao cais de Odemira, toda a gente teve a merecida “bucha” e as duas bombas de abastecimento de combustível asseguravam a segunda parte do passeio, a chuva fez questão de aparecer para uma rápida visita, mas o sol era mais forte e até já fazia sentir algum calor. Já o pessoal das motos descansava a valer quando a maioria dos jipes apareceu dando assim por encerrada para todos a primeira parte do percurso, o total reagrupamento estava feito. 
Iniciamos a segunda parte sensivelmente pelas 14:00 horas, o percurso até à Nacional 120 era igual, seguindo depois por um estradão à direita que conduzia até à Nacional 263 que atravessamos novamente com a preciosa ajuda do pessoal dos coletes amarelos, e continuamos até à já mítica subida impossível dos Ameixiais para nova paragem, reagrupamento e observar as sucessivas tentativas dos mais bravos e destemidos a tentar escalar com as máquinas de duas rodas a enorme “parede” de terra e rocha, e se no ano passado dois corajosos conseguiram chegar ao topo, este ano a subida fez jus ao nome e foi mesmo impossível. De salientar neste ponto a enorme afluência de espectadores, exteriores ao passeio, que este ano quiseram estar presentes para assistir ao espectáculo da subida este ano, o que revela bem a fama já alcançada pelo passeio TT Colos. 
Esta era a ultima paragem antes de efectuar a derradeira tirada até Colos, e os troços escolhidos para esta parte foram os mais rápidos e que melhor andamento proporcionavam aos participantes que gostam de andar mais rápido, logo no inicio cerca de 10Km pelo alto dos montes de uma floresta de eucaliptos, em picadas largas e estradões duplos onde eram possíveis as ultrapassagens rápidas com andamentos loucos. 
Cruzamos a estrada municipal junto a Pereiro e seguimos para a Chaiça da Matriz efectuando a passagem da linha do caminho-de-ferro por cima do Túnel do Vale Discas, seguindo até ás Amoreiras-Gare, e depois até Colos para dar o passeio 2010 por encerrado. 
Seguiu-se o repasto para todos, canja e feijoada, no salão da Junta de Freguesia, convívio e amizade entre todos, comentários, opiniões e histórias de mais um excelente dia de passeio.

Notas finais para toda a excelente organização, tanto das pessoas da SRC, como das pessoas exteriores à SRC, como é o meu caso, o passeio 2010 foi um sucesso absoluto, estamos todos de parabéns, vai concerteza ser recordado por muitos e bons anos na memória de participantes e organizadores, pela minha parte assim será como já antes foram outros acontecimentos que fazem parte da história de Colos e da SRC, mas que infelizmente caiem em esquecimento na memória curta dos colenses. 
Para mim, como colense, dá-me uma enorme satisfação pessoal ver a minha terra ser reconhecida e falada pelas boas razões, ser visitada por gente de longe, e conseguir, através da realização deste tipo de eventos, reunir tamanha quantidade de pessoas e veículos em Colos. 
Pela minha parte também, pessoalmente, e em nome da SRC, quero agradecer a todos os que, de alguma forma, ajudaram e tornaram possível o passeio 2010: ao João Delgado, André Correia, Pedro Guilherme, António Delgado, Luís Matias, Diniz Baptista, Carla Loução, Ricardo Loução (Boga), Nicole Silva, Raquel, Vânia Fernandes, Miguel Ângelo, Diogo Trinchante (Scott), João Trinchante, CC (Carlos Costa), André “Queijadas”, Ana Penacho (Caracóis), Eliana, Chico “Baliza”, Zé Guerreiro, Marinho, Paulo Martinho (Bigas), Pedro Casca, Filipe Pereira, Nuno Ferreira, Tiago Ferreira, Carlos Ferreira, D. Alcidia, D.Ana Maria Delgado 
Um agradecimento especial para a Junta de Freguesia, na pessoa do seu presidente, Sr. Manuel Penedo, pela ajuda e colaboração com a SRC e na cedência da carrinha vassoura. 
Para os que nada fizeram e nada ajudaram, nada a dizer, toda a gente sabe quem são, a melhor resposta é o enorme sucesso desta edição. 
Nota negativa para a maldade de algumas pessoas e para os que, de alguma forma, tentaram sabotar o passeio, como por exemplo com a colocação de pedras e obstáculos no caminho, com a retirada de placas indicativas ou a sua adulteração com o objectivo de dar falsas indicações, com a retirada das fitas sinalizadoras, etc, a esses quero dizer que a gente encontra-se por ai e que não será através de acções baixas, cobardes e mesquinhas que vão conseguir alguma coisa.

Obrigado a todos e até ao passeio Colos TT 2011

O dia antes, marcações:

 O passeio:







quarta-feira, 13 de outubro de 2010

2º Passeio TT Colos - Sociedade Recreativa Colense

 Dia 14 de Novembro, pelo segundo ano consecutivo, a Sociedade Recreativa Colense organiza um passeio toro-o-terreno aberto a Motos, Quads e Jipes em geral.
Com inicio pelas nove horas, esperam-nos cerca de 120 kilómetros de pura adrenalina e aventura ente Colos e Odemira, por entre montado, floresta e serra será certamente um dia inesquecível e diferente para todos.
O formato deste ano conta com mais kilómetros, mas o traçado, que foi do agrado de todos, permanece quase idêntico, com paragem a meio, em Odemira, para abastecimento das máquinas dos participantes, com regresso a Colos e passagem pela subida impossível dos Ameixiais.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O soldado 60 e a sua mala de cartão


Publicado no Diário do Sul:
Por Maria Vitória Afonso

«A história que vou narrar, sem pretensões de contadora, apenas faz jus aos contadores de histórias da família do “Mal Espigado” a que me orgulho de pertencer.
Analfabetos, mas senhores de uma oralidade que prendia os casuais ouvintes, ainda hoje recordados pela nova geração.
O mancebo, que no título da minha crónica intitulo de soldado, nasceu em Colos em 1907. Filho de pequenos agricultores, não deixava porém de ser um menino mimado, principalmente por parte de sua mãe.
Quando chegou à idade escolar, começou a frequentar a mesma e fez o seu percurso normal com brilho e inteligência. Com 14 anos entrou numa oficina para aprender um ofício, precisamente o de carpinteiro de carros. O seu mestre, cedo lhe reconheceu inteligência e capacidade para a profissão Por lá foi evoluindo até chegar à idade do serviço militar. Em 1927,data em que atingiu os 20 anos foi à inspecção e ficou apurado.
Único filho, adorado pela mãe, transformou-se na suprema preocupação, uma vez que o país atravessava grande instabilidade política devido à recente revolução de 28 de Maio.
Os jornais noticiavam que em Lisboa havia constantemente tiros, revoltas, insurreições.
Acontece que havia em Colos, um militar prestigiado, o tenente coronel aviador Brito Pais Falcão, que com sua irmã era dono da Herdade do Monte Velho.
O tio por afinidade, deste mancebo era um trabalhador rural, pessoa inteligente em que Brito Pais confiava e até encarregado de lhe transmitir as ocorrências na herdade quando ele se afastava par ao estrangeiro ou para Lisboa. E era através de cartas que eles comunicavam.
A mãe do mancebo pediu ao cunhado que intercedesse junto de Brito Pais para que ele o protegesse durante o serviço militar.
Foi então marcada uma reunião de tio e sobrinho com Brito Pais na referida herdade precisamente no luxuoso escritório da residência na herdade. Aprazado o dia, sobrinho e tio dirigem-se ao Monte Velho.
A tranquilidade do fiel empregado contrastava com o nervosismo e a falta de a-vontade do jovem. Muito bem recebidos devido ao prestígio e honestidade do exímio trabalhador, o insigne militar muito amavelmente começou a redigir a carta para o comandante do quartel a que o mancebo fora destinado.
Terminada a carta, esboçou um sorriso, entregou-a ao rapaz e disse talvez um pouco despropositadamente:
“Os rapazes de agora são como verdadeiros anjinhos”:
Os dois agradeceram muito e retiraram-se.
O sobrinho no entanto não gostou nada da frase.
Chegou o dia da partida para a tropa. A mãe, extremosa preparou a mala de cartão com algumas roupas para o filho O que era um luxo nesta progenitora pois quase todos os rapazes, pobres como ele levavam suas roupas dentro dum talego.
Com muito carinho depositou a carta do nosso herói no fundo da mala, pois a recomendação deste prestigiado oficial era para ela uma mais valia.
Dois anos serviu o mancebo cumprindo o tempo devido. Era filho único e desejava muito despachar-se para vir ajudar os pais na agricultura.
Quando estava já de saída veio um oficial do exército ter com ele e disse:
-Sessenta, devido à tua inteligência e comportamento, sugiro-te que fiques para prosseguir carreira pois te apoiarei em tudo.
-Agradeço meu capitão, mas sou filho único e não vou dar a meus pais o desgosto de passarem  o resto dos seus dias com  o filho longe.
Nem assim a carta do insigne aviador saiu da mala de cartão.
Esta história é verídica.
Seus personagens: 
Tenente Coronel Brito Pais Falcão
Meu tio avô José Amador
José Eduardo - o humilde mancebo cuja mãe solicitou a carta que ele por brio não quis utilizar.    
José Eduardo era meu pai, que sempre estimou e admirou o insigne aviador que ele considerava uma excelente pessoa além dum herói nacional.
Brito Pais que tanto arriscou a vida nas suas expedições e que foi um pioneiro da aviação viria a morrer num estúpido acidente quando o seu avião chocou com outro aparelho.
O seu funeral realizou-se no dia 6 de Abril de1935 para o cemitério de Colos e no qual esteve presente Gago Coutinho. Este funeral teve mais de 10000 pessoas incluindo todos os colenses entre os quais o pai e o tio que o choraram sentidamente.»

 Maria Vitória Afonso