quarta-feira, 13 de outubro de 2010

2º Passeio TT Colos - Sociedade Recreativa Colense

 Dia 14 de Novembro, pelo segundo ano consecutivo, a Sociedade Recreativa Colense organiza um passeio toro-o-terreno aberto a Motos, Quads e Jipes em geral.
Com inicio pelas nove horas, esperam-nos cerca de 120 kilómetros de pura adrenalina e aventura ente Colos e Odemira, por entre montado, floresta e serra será certamente um dia inesquecível e diferente para todos.
O formato deste ano conta com mais kilómetros, mas o traçado, que foi do agrado de todos, permanece quase idêntico, com paragem a meio, em Odemira, para abastecimento das máquinas dos participantes, com regresso a Colos e passagem pela subida impossível dos Ameixiais.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O soldado 60 e a sua mala de cartão


Publicado no Diário do Sul:
Por Maria Vitória Afonso

«A história que vou narrar, sem pretensões de contadora, apenas faz jus aos contadores de histórias da família do “Mal Espigado” a que me orgulho de pertencer.
Analfabetos, mas senhores de uma oralidade que prendia os casuais ouvintes, ainda hoje recordados pela nova geração.
O mancebo, que no título da minha crónica intitulo de soldado, nasceu em Colos em 1907. Filho de pequenos agricultores, não deixava porém de ser um menino mimado, principalmente por parte de sua mãe.
Quando chegou à idade escolar, começou a frequentar a mesma e fez o seu percurso normal com brilho e inteligência. Com 14 anos entrou numa oficina para aprender um ofício, precisamente o de carpinteiro de carros. O seu mestre, cedo lhe reconheceu inteligência e capacidade para a profissão Por lá foi evoluindo até chegar à idade do serviço militar. Em 1927,data em que atingiu os 20 anos foi à inspecção e ficou apurado.
Único filho, adorado pela mãe, transformou-se na suprema preocupação, uma vez que o país atravessava grande instabilidade política devido à recente revolução de 28 de Maio.
Os jornais noticiavam que em Lisboa havia constantemente tiros, revoltas, insurreições.
Acontece que havia em Colos, um militar prestigiado, o tenente coronel aviador Brito Pais Falcão, que com sua irmã era dono da Herdade do Monte Velho.
O tio por afinidade, deste mancebo era um trabalhador rural, pessoa inteligente em que Brito Pais confiava e até encarregado de lhe transmitir as ocorrências na herdade quando ele se afastava par ao estrangeiro ou para Lisboa. E era através de cartas que eles comunicavam.
A mãe do mancebo pediu ao cunhado que intercedesse junto de Brito Pais para que ele o protegesse durante o serviço militar.
Foi então marcada uma reunião de tio e sobrinho com Brito Pais na referida herdade precisamente no luxuoso escritório da residência na herdade. Aprazado o dia, sobrinho e tio dirigem-se ao Monte Velho.
A tranquilidade do fiel empregado contrastava com o nervosismo e a falta de a-vontade do jovem. Muito bem recebidos devido ao prestígio e honestidade do exímio trabalhador, o insigne militar muito amavelmente começou a redigir a carta para o comandante do quartel a que o mancebo fora destinado.
Terminada a carta, esboçou um sorriso, entregou-a ao rapaz e disse talvez um pouco despropositadamente:
“Os rapazes de agora são como verdadeiros anjinhos”:
Os dois agradeceram muito e retiraram-se.
O sobrinho no entanto não gostou nada da frase.
Chegou o dia da partida para a tropa. A mãe, extremosa preparou a mala de cartão com algumas roupas para o filho O que era um luxo nesta progenitora pois quase todos os rapazes, pobres como ele levavam suas roupas dentro dum talego.
Com muito carinho depositou a carta do nosso herói no fundo da mala, pois a recomendação deste prestigiado oficial era para ela uma mais valia.
Dois anos serviu o mancebo cumprindo o tempo devido. Era filho único e desejava muito despachar-se para vir ajudar os pais na agricultura.
Quando estava já de saída veio um oficial do exército ter com ele e disse:
-Sessenta, devido à tua inteligência e comportamento, sugiro-te que fiques para prosseguir carreira pois te apoiarei em tudo.
-Agradeço meu capitão, mas sou filho único e não vou dar a meus pais o desgosto de passarem  o resto dos seus dias com  o filho longe.
Nem assim a carta do insigne aviador saiu da mala de cartão.
Esta história é verídica.
Seus personagens: 
Tenente Coronel Brito Pais Falcão
Meu tio avô José Amador
José Eduardo - o humilde mancebo cuja mãe solicitou a carta que ele por brio não quis utilizar.    
José Eduardo era meu pai, que sempre estimou e admirou o insigne aviador que ele considerava uma excelente pessoa além dum herói nacional.
Brito Pais que tanto arriscou a vida nas suas expedições e que foi um pioneiro da aviação viria a morrer num estúpido acidente quando o seu avião chocou com outro aparelho.
O seu funeral realizou-se no dia 6 de Abril de1935 para o cemitério de Colos e no qual esteve presente Gago Coutinho. Este funeral teve mais de 10000 pessoas incluindo todos os colenses entre os quais o pai e o tio que o choraram sentidamente.»

 Maria Vitória Afonso

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Gerações - Ano lectivo desconhecido

Mais uma geração de colenses, todos eles hoje com idades a rondar, em média, os 30 anos.
Esta fotografia foi tirada no exterior da saudosa, e para sempre, Escola Primária de Colos, edifício neste momento ocupado por outra instituição, infelizmente!


Da esquerda para a direita, de pé: Professora Luisa, ?, Luis, Nuno, ?, Tiago Ferreira, Manuel Matias (Manelinho), Sílvia, Professor Rosendo
Ao meio: ?, Rita Silva, Carlos, Rita Zeferino, Jorge, ?, Sérgio Campos, Paula
Por baixo sentados: Luís Mariani, Fábio, Ana, João Paulo Batista, Marta Catarino, ?, Rita Mestre 

Mais uma vez apelo a todos para que me ajudem a identificar os restantes, assim como o ano da foto.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A escola nos novos tempos

Agora não choram os filhos, choram os pais

Com esta frase começo por descrever a actual situação escolar no Portugal de Sócrates, esse individuo que, definitivamente, não vive no mesmo país que os restantes portugueses.
O fecho de centenas de escolas configura um grave crime contra o interior. Em nome de errados critérios economicistas, dificulta-se a vida a quem ainda vive no interior cada vez mais desertificado e faz-se um convite a que os casais jovens abandonem as suas terras ou não queiram ter filhos.
Na Educação, a mentalidade economicista não pode sobrepor-se às necessidades de Portugal. É preciso denunciar, pois, o fecho de escolas pelo “crime” de terem menos de 20 alunos, por que razão têm os alunos e suas famílias de responder pelas políticas desastrosas, desde e de outros governos, que conduziram à desertificação do interior e à quebra assustadora do crescimento demográfico?
Estamos a viver uma revolução criminosa no ensino básico, sem precedentes, e para pior, claro, que isto de revoluções geralmente nunca é para melhor.
Na província o actual governo prepara-se para encerrar sem piedade a maioria das escolas básicas por todo o país e reunir os alunos em mega-agrupamentos escolares, frios, desenraizados e descaracterizados, sem história nem tradição, onde os alunos serão arrancados dos seus meios rurais ou habitacionais e enfiados à força em edifícios enormes longe dos seus lares. Isto é um crime contra o interior!
Numa análise muito pessoal penso que isto está profundamente errado, por diversas razões, não só de carácter puramente educacional mas também social, económico, afectivo, etc.
Para começar, fechar escolas de província, seja onde for, contribui logo para uma maior desertificação e desumanização das áreas rurais, sem uma politica anti-desertificação concertada e eficaz o interior definha e morre, como alguém já disse, uma terra onde fecha farmácias, posto da GNR, escolas, tabernas, etc, é uma terra condenada a morrer, e é mesmo isso que o governo central, com o apoio das câmaras municipais, está a fazer um pouco por todo o país, este ano com a desculpa do fecho da maioria das escolas que tinham menos de 20 alunos, para os próximos anos o fecho da esmagadora maioria das escolas rurais, esperem para ver!
O dinheiro torrado em Magalhães e outras fantasias serviria perfeitamente para viabilizar as escolas condenadas.
Portugal rural e interior, a província, não é a cidade grande, ao contrário do que os técnicos cegos do governo pensam nem todos querem viver na urbe ou adquirir os seus hábitos e vivências.
Arrancar crianças entre os 6 e os 12 anos das suas camas, muitos ainda de madrugada, enfiá-los em autocarros escolares, sabe-se lá em que condições, para fazerem dezenas de kilómetros, por estradas em mau estado de conservação, depositá-los em mega escolas desumanas, com outras centenas de crianças de outros tantos lugares longe, para passarem cerca de oito horas juntos, voltarem ao final do dia novamente nos mesmo autocarros e pelas mesmas estradas, para junto das suas famílias, chegando tarde e a más horas, para recomeçar tudo no dia seguinte, pergunto eu onde está a educação no meio disto tudo?
Como se isto não bastasse para reflexão, temos agora, e cada vez mais, as novas regras educativas, novas ideias, de idiotas, certamente, onde das sete horas e meia que as crianças passam na escola, apenas cerca de quatro e meia são empregues realmente na educação obrigatória, sendo as restantes 3 horas são gastas em “Aulas de Enriquecimento Curricular”, seja lá o que isso for.
E para os pais ficarem ainda mais preocupados, temos a novidade das viagens às piscinas de Odemira, para alem das viagens já pensadas em fazer a diversos lugares no país, em suma, uma rol de responsabilidades que a escola não deveria assumir.
Nunca a escola se imiscuiu tanto no papel que deve ser dos pais, nas tarefas que devem ser da responsabilidade dos pais, porque, como eu sempre digo, tudo corre bem até um dia correr mal.
“A infância tem direito a cuidados e assistência especiais”. É isto que defende o preâmbulo da Convenção sobre os Direitos da Criança e é este ponto que está longe de se tornar uma realidade.

O caso do agrupamento de Colos

Em Colos temos a sorte de ter a Escola Secundária, agora baptizada, e bem, de Escola Aviador Brito Paes, e por isso, ao invés de fechar-mos escolas, concentramos ainda mais alunos na escola básica vindos da agora extinta Escola da Ribeira do Seissal, elevando para mais do dobro a população escolar da escola básica de Colos, que fica assim com duas turmas e 29 alunos entre o 1º e o 4º ano de escolaridade.
Mas os últimos rumores dão conta da construção de mais salas, certamente a ampliação do actual edifício da escola básica, para receber nos próximos anos a restante população escolar do agrupamento vertical de Colos, ou seja, isto quer dizer que as actuais escolas básicas de Bicos, Fornalhas, Vale de Santiago, Aldeia das Amoreiras, São Martinho, Amoreiras e Relíquias têm os dias contados e deverão mesmo fechar no próximo ano ou seguintes, é a crónica de uma morte anunciada, é vergonhoso e desumano!
Os professores, esses, continuam afundados em burocracias, mergulhados num mar de papéis, perdidos por entre regras, sistemas, formulários, horários, etc, perdendo tempo precioso no que realmente interessa, a educação das crianças.
Para completar este quadro modernista temos a crescente preocupação paranóica com a segurança das crianças, mal enquadrada e mal dirigida, porque não sei o que é mais perigoso, se deixar as crianças ir à piscina em viagens da escola ou deixar as crianças fazer o caminho de casa sozinha? É uma dúvida que me assalta!
As nossas crianças deixaram de conviver fora dos recintos escolares, fecham-se em casa, desaparecem, não conhecem a aventura, o desafio próprio da idade, as salutares brincadeiras infantis fora de portas e fora da escola.
A escola em si, o espaço físico, tem carências, segundo os responsáveis não existem espaços cobertos exteriores para albergar a nova vaga de alunos, é verdade, a actual escola, inaugurada ainda recentemente não tem pátios e em dias de chuva os recreios são impossíveis.
Eu acrescentava mais, faz falta, para alem desses pátios, um passadiço coberto entre o edifício da Escola EB2+3 e o edifício da Escola Básica, para alunos, professores e pais poderem circular livres da intempéries. Faz também falta, pelo menos, mais uma auxiliar na escola básica, o número de auxiliares deve acompanhar o número de alunos, não basta apenas depositar os alunos nas escolas, devem ser protegidos e minimamente vigiados dentro do recinto escolar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gerações - Ano lectivo 1981/82

Esta sim, a minha geração:
Ano lectivo 1981/82, fotografia tirada na sala de cima da Escola Primária:


Da esquerda para a direita, de pé:
Professora Ana Maria, Benedita, Margarida Malveiro (Guida), Antero, Inês, Bia, Jorge (Roland), Fernando, (Zeca Diabo), Jorge, Pedro (Pratas), José Fernandes, Zézinha, Luis Gamito, Luis Pereira, Luis Malveiro, Professora D. Júlia, Pedro Gonçalves (Guerra)
Da esquerda para a direita, em baixo:
Florbela (Belinha), Fernando Martinho (Fraquito), Nélia (Cigana), Ludgero Loução (Esfera/Sopa), Nélia, ?, Célia, Cristina, Marta, Zélia Banza
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De nós todos, apenas nove continuam a viver em Colos, os restantes continuam as suas vidas noutros locais e alguns não sei nada deles há muito tempo.
Muita saudade nesta foto, de todos e de um tempo que já não volta.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Gerações - Ano Lectivo 1991/92

Chegou-me à caixa de correio uma foto muito interessante, cheia de nostalgia e saudade, festa de Natal da escola com uma das mais recentes gerações de colenses, andam todos agora pela casa dos vintes ou quase.
Espero que os fotografados não tenham qualquer objecção na colocação da foto, perdoem a indiscrição e gostem da surpresa:


Reconhecem-se (penso eu), da esquerda para a direita: 
André Correia, Patrícia Batista, Luis Matias, Ricardo Loução (Boga), Patrícia Catarino, Raquel Neves, Catarina Sobral (Piriquito), António Delgado (sentado), Marcelo Neves , João Filipe Afonso, Márcio Silva, Vânia Fernandes
Abaixo do palco, de costas, penso eu que é o David

Insólito

Caiu um poste de electricidade na rua 28 de Maio em Colos, e foi enfiar-se direitinho numa das janelas do edifíco dos correios:
É impressionante, sendo a rua com mais movimento dentro da nossa localidade, nenhum automóvel passava no local na altura da queda,  felizmente ninguém foi atingido e não há vitimas a lamentar, apenas estragos materiais:


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Festas de S. João - Feira anual e Arraial dos Escuteiros

Numa altura em que muitas vozes se levantam contra o deslocamento e encerramento de outras actividades, algumas privadas, por outro lado esquecem as actividades e eventos públicos, como a Feira de S. João, que perdendo a Eira da Lagoa e sem alternativas viáveis a longo prazo, vai concerteza extinguir-se, como já é hábito em Colos, e passando a viver apenas na memória.
Ora esta é uma oportunidade perdida em muitas vertentes, atrevo-me a dizer que esta feira era uma das maiores realizações e ajuntamentos populares do interior do concelho de Odemira, e foi deitada ao abandono por parte dos responsáveis locais ao longo dos anos, numa imobilidade desesperante.
Tratava-se de uma das mais antigas feiras da região. Antigamente, a feira de São João em Colos juntava feirantes e populares de toda a região e arredores, mas a realização da feira, tal como estava, na Eira da Lagoa, não era viável. Ao logo das décadas, e com a expansão urbanística local, sempre para poente, a feira passou do exterior para o interior da vila, com todos os problemas a isso associados, as ruas eram cortadas e sitiadas, as portas bloqueadas, os quintais ocupados e a estrada nacional condicionada, as pessoas tinham medo e todos os anos havia confusão e desacatos entre feirantes, ciganos, população e GNR, era quase uma anarquia durante alguns dias, com a GNR a ser tolerante demais e alguns populares a ficarem à beira de um ataque de nervos.
O primeiro grande golpe para o desaparecimento da feira tal como era, num passado mais ou menos distante, foi o encerramento da feira do gado, nos princípios da década de 90, e com isso mais de metade da feira desapareceu praticamente de uma ano para o outro. Era uma feira dentro da feira, talvez até maior que a própria feira em si, era a feira original e antiga, uma feira de gado que atrás de si arrastava uma multidão, que juntou e arrastou tudo o que vemos hoje numa feira mas sem o gado, e transaccionavam-se, sobretudo, fora o gado, produtos hortícolas e produtos artesanais, numa fase posterior vieram os texteis e o calçado, mais tarde apareceram as diversões em massa, ocupando também uma grande fatia da feira. Tudo isso, actualmente, desapareceu, ficando apenas alguns dos produtos hortícolas, os texteis e o calçado.
A solução teria sido, primeiro definir uma data certa para a sua realização, sempre por volta do S. João, mas coincidindo num fim de semana, e depois encontrar um terreno próprio para a realização da feira, com iluminação, saneamento e ordem, tal como vemos em todo o lado onde havia feiras com a dimensão da nossa, podendo então evoluir para uma promoção cultural e social do evento, aproveitando a data e dimensão criados pelos anos. O que escrevo não tem nada de especial, foi o que aconteceu na esmagadora maioria das feiras populares em Portugal, e temos alguns exemplos bem perto de nós, dentro do próprio concelho, como é o caso da FACECO, em S. Teotóneo, que é directamente herdeira das festas locais, sendo a data da sua realização depois mudada com a consolidação como Feira das Actividades Económicas e Culturais do concelho de Odemira, ou a Santiagro em Santiago do Cacém, ou a Feira do Campo Branco em Aljustrel, etc. Podem dizer: mas isso são capitais de concelho, sim, são, mas temos também, bem perto, o exemplo de Garvão, que era igualmente uma importante Feira de Gado, numa uma povoação idêntica a Colos, e deu lugar a uma moderna feira cultural e económica, melhor exemplo não existe.
Colos deixou fugir o protagonismo para as Amoreiras-Gare e Garvão. Nas Amoreiras-Gare, pela mão de uma associação jovem e ambiciosa, e em pouco mais de uma década, conseguem realizar uma festa anual com estatuto de feira do interior do concelho de Odemira, com todas as implicações política, sociais, culturais e económicas que isso acarreta, ganhando visibilidade e referências públicas importantes para uma terra pequena. É assim que se faz e dou os meus parabéns ás Amoreiras-Gare pela sua tenacidade e inteligência.
Em Garvão, pela mão dos reponsáveis locais a feira não morreu nem definhou, evolui-o e com o apoio da câmara de Ourique é actualmente uma das montras do concelho vizinho.
Numa fase de abandono e desertificação do interior alentejano é muito triste ver uma feira como a de S. João em Colos desaparecer, ver a minha terra perder mais uma realização, mais uma oportunidade, ver os responsáveis locais de joelhos perante a déspota municipal.
Os milhões gastos na aberrante reconversão da Eira da Lagoa, transformando-a num jardim de betão, não valem afinal a mudança, nunca pensei dizer isto mas afinal, assim, tenho saudades do tempo anárquico da antiga feira.

Foi neste quadro que o agrupamento de escuteiros de Colos realizou mais uma vez a festa de S. João em Colos, mais conhecida pelo Arraial dos Escuteiros, que desde há alguns anos a esta parte tem vindo a fazer parte das organizações do agrupamento e é a única "festa" anual que se tem conseguido aguentar em Colos sem interrupções, mesmo que tenha diminuído em expressão e reduzida no seu formato, mais compacta, é uma realização a louvar e a apoiar nesta altura de convulsões sociais e culturais em Colos, e numa altura por excelência para as festas tradicionais.
Quando uma determinada parte da população, eu incluído, esperava ver realizações semelhantes, ou melhores, por parte da Junta de Freguesia ou da Sociedade Recreativa Colense, são os "gaiatos" dos escuteiros que lhes dão uma bofetada e fazem o que podem no marasmo local.
A festa nada teve de novo, temia-se até que fosse um fiasco, os últimos anos foram maus, com a qualidade a cair e a afluência de público a ser diminuta, mas este ano houve uma inversão e regista-se para a memória uma bela noite com muita gente na rua e a visita de muitos forasteiros.
Durante a tarde foi organizado um concurso de tiro ao alvo com carabinas de pressão de ar e à noite houve baile e cantares alentejanos.




quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 de Junho - Dia de Portugal - Dia da Raça

Antes da “Revolução dos Cravos”, a 10 de Junho comemorava-se o Dia da Raça.
E que "raça" era esta? Simplesmente a raça de um povo que sempre foi original face aos outros povos europeus. Povo com uma História de 8 séculos; com um Estado dos mais antigos da Europa (actualmente em derrocada…) e com um Império inigualável na vastidão dos territórios e na criação de uma nova sociedade, fraterna e plurirracial, aliás querida e aceite, ao tempo, por negros e brancos.
Hoje, quem for intelectualmente honesto reconhecerá que o nosso Ultramar, mesmo com o advento do actual regime político, deveria ter sido defendido porque lá estavam milhões de portugueses, pretos e brancos, os quais queriam viver sob a nossa bandeira e usufruir da nossa paz, da nossa cultura, da nossa civilização. Hoje, os brancos honestos abandonaram a nossa África, deixando a mesma aos terroristas, nada restando já das nossas infra-estruturas – escolas, liceus, hospitais, fábricas, portos… o bem-estar e o progresso enfim…
Hoje, o que lá existe é a selvajaria daqueles que se entregaram, ao longo de anos e anos de guerra, à destruição em nome do comunismo internacional, que foi agora substituído pelo neo-liberalismo e pelo capitalismo selvagem. E que continuam perseguir o seu próprio povo…
Viu-se quem ficou, em Angola ou Moçambique, a explorar as imensas riqueza: os soviéticos, os cubanos, os americanos. Hoje, os chineses…e o povo sofredor vive na mais triste miséria…com desigualdades enormes, onde apenas uma elite próxima dos presidentes domina tudo e todos.
A perda do nosso Ultramar foi uma traição a todos os (verdadeiros) portugueses, não enfeudados a ideologias marxistas, e uma traição a todos aqueles que lá estavam a trabalhar, a investir… recorde-se que Angola, em 1970, era uma verdadeira explosão económica no panorama do continente africano. Tudo se perdeu com a ajuda de todos aqueles que se ajoelharam perante a ideologia do Mal … perdemos nós, perdeu o povo africano…
Resta-nos este pequenino rectângulo: no contexto da União Europeia, com o fim das Nações, o federalismo, até quando?
Em África, sofreram e morreram em combate negros e brancos, irmanados na mesma causa: um só povo, formando uma só Nação: Portugal estava aberto a todos os seus filhos. Como disse Marcello Caetano, “Portugal é de todos nós. Nós todos somos Portugal!”.
Hoje, não seria incompatível, com a vigência de um regime parlamentar, democrático como se diz, a manutenção desse espaço de prosperidade económica e social que foi o nosso Ultramar. Contudo, a cobiça das outras Nações Europeias, e não só, determinaram a sua perda…ventos da História...
No dia da Raça e de Camões exaltava-se a Nação e o Império, a Metrópole e as Colónias.
Hoje, não sabemos bem o que se comemora…

Deixo aqui este poema de Manuel Alegre, o qual, curiosamente, hoje rema contra a maré…

“PAÍS DE MUITO MAR

Somos um país pequeno e pobre e que não tem

senão o mar
muito passado e muita História e cada vez menos
memória
país que já não sabe quem é quem
país de tantos tão pequenos
país a passar
para o outro lado de si mesmo e para a margem
onde já não quer chegar.
País de muito mar
e pouca viagem.”


Assim se ensinava o que é a Pátria

Menino, sabes o que é a Pátria?
A Pátria é a terra em que nascemos, a terra em que nasceram os nossos pais e muitas gerações de portugueses como nós.
É a nossa Pátria todo o território sagrado que D. Afonso Henriques começou a talhar para a Nação Portuguesa, que tantos heróis defenderam como o seu sangue ou alargaram com sacrifício de suas vidas. É a terra em que viveram e agora repousam esses heróis, a par de santos e de sábios, de escritores e de artistas geniais. A Pátria é a mãe de nós todos os que já se foram, os que vivemos e os que depois de nós hão-de vir.
Na Pátria está, meu menino, a casa em que vieste à luz do dia, o regaço materno que tanta vez te embalou, a aldeia ou a cidade em que tu cresceste, a escola onde melhor te ensinam a conhecê-la e a amá-la, e a família e as pessoas que te rodeiam.
Na Pátria estão os campos de ricas searas, os prados verdejantes, os bosques sombreados, as vinhas de cachos negros ou de cor de ouro, os montes com suas capelinhas brancas votivas.
A Pátria é o solo de todo o Portugal, com as suas ilhas do Atlântico (Açores e Madeira, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe...), as nossas terras dos dois lados de África, a Índia, Macau, a longínqua Timor.
Para cá e para além dos mares, é a nossa Pátria bendita todo o território em que, à sombra da nossa bandeira, se diz na formosa língua portuguesa a doce palavra Mãe!....

Livro de Leitura da 3ª Classe,
Porto Editora, Lda., 1958, pp.5-6

A nossa querida Pátria
Ao vermos a enorme extensão do Império Português, admiramos o heroísmo com que os nossos antepassados, - sábios, marinheiros, soldados e missionários, - engrandeceram a Pátria. Por ela atravessaram mares desconhecidos, sofreram as inclemências de climas insalubres e travaram lutas cruéis em paragens longínquas.
Aprendamos a lição do seu esforço, para amar e servir, como eles, a nossa querida Pátria.

Livro de Leitura da 3ª Classe,
Porto Editora, Lda., 1958, p. 11

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Gente de cá - Maria Vitória Eduardo Afonso

Muitos vão ser os admirados com este postal que aqui vos deixo hoje, mas não podia deixar de dar a conhecer mais um colense desconhecido, neste caso uma colense.
Maria Vitória Eduardo Afonso, nasceu em Colos na década de quarenta. Feito o ensino básico primário e oficial na terra natal, Colos, frequentou o liceu de Beja e a escola do Magistério da mesma cidade. Exerceu como professora nos distritos de Beja e Setúbal e reside há cerca de trinta anos no concelho do Seixal.
Durante dois anos manteve uma coluna mensal no Jornal do Seixal chamado "Tribuna do Povo".
Essa coluna chamava-se Cantinho Alentejano" e, nela, relatava aspectos etnográficos e sociológicos do seu querido Alentejo.
Actualmente colabora no "Diário do Sul", jornal de Évora, onde aborda a indiossincrasia do povo alentejano do ponto de vista das mentalidades e da sua cultura popular.
Poetisa popular, tem publicado alguns poemas neste jornal, sócia do Circulo Nacional de Arte e Poesia, da A.P.P. (Associação Portuguesa de Poetas) e da Casa do Educador do Seixal, em cujo site é co-redactora.
Tem declamado poemas em algumas rádios, nomeadamente no ex-programa "Momento Poético" na Rádio DigitalFM de Famalicão, e participa actualmente "Poesia y algo más" na Radio Arinfo de Buenos Aires, Argentina.

Acção de informação sobre a estratégia de desenvolvimento local

Como espaço informativo de tudo, ou quase tudo, que se passa em Colos, não posso deixar de retransmitir uma noticia que me chegou via e-mail:
No mínimo vai ser interessante ouvir o que é que esta gente da Esdime e Taipa tem a dizer sobre uma coisa tão complexa e difícil como é a forma de desenvolver regiões como a nossa, onde a desertificação avança sem piedade, as pessoas abandonam as raízes, não existe emprego, os jovens não têm nem vêem futuro, não existe indústria, a agricultura tradicional desaparece e a nova não tem implementação, onde nem as principais estradas rodoviárias têm o direito a ser reparadas nas mínimas condições, vai ser mesmo muito interessante ouvir esta gente!

Passo a divulgar o comunicado:

«No sentido de informar os potenciais beneficiários e a população local sobre os apoios previstos nas 5 acções do eixo 3 do PRODER, no âmbito da Estratégia de Desenvolvimento Local (ELD) a Esdime em parceria com a TAIPA, Crl e com a colaboração da Junta de Freguesia de Colos apresenta dia 8 de Junho pelas 21:00 horas no Salão de Festas de Colos a Estratégia de Desenvolvimento Local, inserida no objectivo de promoção de qualidade de vida nas zonas rurais, de forma a contribuir para o desenvolvimento dos territórios de intervenção.»
  Temáticas a abordar:
  • Diversificação de Actividades na exploração Agrícola;
  • Criação e Desenvolvimento de Microempresas;
  • Desenvolvimento de Actividades Turísticas e de Lazer;
  • Conservação e Valorização do Património Rural;
  • Serviços Básicos para a População Rural;
  • Regulamentos de aplicação das acções do eixo 3 do PRODER;
  • Avisos de abertura de concursos;
  • Processo de formalização das candidaturas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Caminhada em Colos / Passeio Pedestre

A Sociedade Recreativa Colense tem agendada uma caminhada em Colos, dia 22 de Maio, com a concentração e inicio junto à sede da Sociedade pelas 8:30 da manhã.
Apela-se a todos os interessados para comparecerem, e de preferência levarem um amigo, familiar, conhecido, etc. Organizem-se e vamos caminhar pelos trilhos da nossa terra.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Imagens da minha terra e região

Através da participação no concurso de fotografia da Sociedade Recreativa Colense, tive a oportunidade de obter algumas centenas de imagens da nossa terra e região. São algumas dessas fotografias que venho agora partilhar com todos:







quarta-feira, 28 de abril de 2010

Actividades da Sociedade Recreativa Colense - Concurso de Fotografia

Estão expostas na sede da Sociedade Recreativa Colense as fotografias relativas ao 1º Concurso de Fotografia, que tem como tema a Vila de Colos.
Sete foram os fotógrafos que em boa hora resolveram participar neste concurso, com três fotos cada, vinte e uma fotos no total a concurso.
São diversas as fotografias apresentadas, onde podemos observar as diversas sensibilidades para o mesmo tema.
As paisagens estão em maioria, a nossa terra, através dos seus montes e cerros a sul e oeste proporcionam sempre bonitas e inesquecíveis imagens de Colos, principalmente nesta altura do ano, a primavera com o verde a dominar.
Temos também a paisagem "urbana" de Colos, as suas igrejas e capelas, as suas ruas, lugares e diferentes perspectivas de olhar a terra, até um retrato lá está.
Numa opinião muito pessoal, tenho pena de o concurso não ter sido mais participado, com mais concorrentes e, consequentemente, mais fotos e mais qualidade, não que a qualidade esteja ausente neste conjunto de fotografias, foram apresentadas a concurso fotografias com muita qualidade, olhares extremamente sensíveis que captaram imagens que nos fazem olhar para os mesmos lugares com outros olhos, observar os contextos de outra forma.
A fotografia é uma forma de magia. Magia na medida em que se consegue registar a realidade de uma forma tão real.