sábado, 27 de fevereiro de 2010

Visita da Srª de Fátima a Colos 15/11/1947

No dia 15 de Novembro de 1947 a imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Cova da Iria, visitou Colos e esteve na Igreja Matriz, é dessa altura a placa que se encontra na entrada da Igreja e que disso faz memória, assim como as fotos que apresento, que testemunham a festa que foi organizada para receber a imagem, com as principais ruas de Colos a serem enfeitadas numa demonstração de unidade e orgulho pelo facto:
Mais uma vez as fotografias mais antigas que apresento foram cedidas pela Dona Maria Emília Guerreiro Figueira, a quem muito agradeço.
Muito obrigado!
Final da Rua 28 de Maio
 
 Rua Carlos Maia
Rua Carlos Maia
Rua Infante D. Henrique
 
Praça D.Manuel I / Rua 28 de Maio

Placa comemorativa 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Desporto em Colos - Ciclismo no século passado

O ciclismo é, seguramente, uma das mais bonitas e populares modalidades desportivas.
Em meados do século passado existiu em Colos uma forte tradição no ciclismo, prova disso é uma taça existente no espólio da Sociedade recreativa Colense e as fotografias que apresento de seguida, pena é que este desporto popular se tenha extinguido na nossa freguesia.
O sacrifício, a dor e a capacidade de resistência daqueles atletas marcam-nos de modo impressionante.
Correr por estradas enlameadas, sem pavimentos, com bicicletas arcaicas, era obra de uma admirável capacidade.
Saber reunir este tipo de fotografias e, com dignidade e com a devida homenagem, recordar as nossas referências desportivas, a todos orgulha.
Infelizmente nada mais sei sobre a história por trás das fotografias apresentadas, não sei os nomes dos valentes ciclistas nem sei as datas das corridas, mas a essência da paixão fica para sempre!
Mais uma vez as fotografias que apresento foram cedidas pela Dona Maria Emília Guerreiro Figueira, a quem muito agradeço.
Muito obrigado!

 
  
  
Taça existente no espólio da Sociedade Recreativa Colense, em que se pode ler:
PROVA DE CICLISMO
EQUIPE VENCEDORA
6-7-958 (1958)
 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Colos do antigamente

A identidade de um povo, de uma comunidade, de uma terra, só consegue sobreviver desde que não se perca a memória. Um ser que perdeu a memória ou que voluntáriamente a destrói, como acontece com o Portugal contemporâneo pela mão dos governantes da actual geração, está a condenar á morte a sua identidade, por efeito da amnésia e da herança delapidada; no fim torna-se um corpo esvaziado da sua alma, uma sombra do que foi.
Temos as nossas referências, os nossos princípios, os nossos valores, as nossas regras de vivência são, por enquanto, conhecidas,  e temos orgulho na nossa terra, por isso as nossas tradições devem manter-se vivas para as gerações futuras recordarem de onde vêm e quais são as suas raízes.
Devemos lutar contra a perca da nossa identidade cultural, religiosa e comunitária, num tempo de indecisões, de confusões e de escolhas, antes de sermos europeus devemos reanúnciar que somos alentejanos e portugueses!
Ignorar a nossa história, ignorar a maneira de ser das gerações anteriores a nós, é desconhecer a nós próprios, os Homens são, fundamentalmente, o seu passado, já que o presente é efémero e o futuro é uma incógnita.
As fotografias que apresento foram cedidas pela Dona Maria Emília Guerreiro Figueira, (a nossa conhecida Mila), a quem muito agradeço e que continua a ser uma das grandes guardiãs da tradições e memórias de Colos
Muito obrigado!

 Colos do antigamente, fotografias de cenas quotidianas, paisagens, animais e pessoas do passado da nossa terra, quase todas datadas da década de 40 do século passado:
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Grupo de alunas e suas mães na escola feminina, ao fundo a torre da Igreja Matriz
 
Amendoeira 1942 - Grupo de mulheres na monda
 
 Junta de Bois
 
Carrada de Trigo para debulha
 
Máquina fixa na debulha

Junta de Bois

Grupo de mulheres a descamisar milho
 

Grupo de mulheres na monda
 
  
 Tosquia manual de ovelhas
 
Tourada/Garraiada em Colos

 Um bezerro na Arrabacinha
 Uma égua e a sua cria
Quinta da Arrabacinha - anos 40

 Junta de Bois

Um dos primeiros automóveis da terra

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um Colense na Selecção Europeia da Bass Eurocup

Nos dias 4,5 e 6 de Fevereiro realizou-se na Barragem de Santa Clara a edição 2010 da Bass Eurocup.
A Bass Eurocup é a competição de pesca ao achigã mais importante da Europa.
Realizada anteriormente em Espanha com o nome de Eurobass, a Eurocup põe frente a frente pescadores profissionais americanos e europeus. Em cada barco competem dois pescadores, um europeu e um americano; aquele que conseguir um maior peso ganha um ponto para a sua equipa, vencendo assim aquela que somar a maior pontuação. Esta competição é organizada por Javier Galiana no âmbito do Lisboa Sport Show e Lisboa Boat Show.
O português Pedro Félix, natural e residente em COLOS, campeão de Portugal em 2005, foi o capitão da equipa que era também integrada por Joaquim Moio (campeão de Portugal nos dois últimos anos), António Gonçalves (vencedor do último Encuentro Latino de Bass), José Moreira, José Cruz (campeão da Norbass 2009), Rui Carreira (campeão em 2007 do Encuentro Latino de Bass), Nuno Feijoca e ainda pelos espanhóis José Collado, Eloy Fernández e Fran Pérez, todos bem conhecidos dos aficionados da Península Ibérica.
Por sua vez a equipa americana foi constituída pelos seguintes pescadores profissionais: Greg Gutierrez, que será o capitão, André Moore, Kim Bain (primeira mulher da História Participou Bassmaster que no clássico), Jimmy Mize, Pete Lagoas, Preston Clark, Vince Fulks, Paul Hirosky , Bink Desaro e Bret Gouvea. 

 
  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Tradições Orais e Instrumentais de Colos & S. Martinho das Amoreiras

Foi efectuada uma recolha de tradições orais e instrumentais nas freguesias de Colos e S. Martinho das Amoreiras e foi gravado um CD
Esta recolha teve como principal objectivo o registo áudio de interpretes e/ou autores não profissionais, de forma a que estes sons nunca se percam no tempo.
Foi gravado em salas de aula de uma escola e de uma antiga escola das freguesias de Colos e S. Martinho, evitando-se as estúdios e o consequente "stress" que uma gravação em estúdio iria provocar nos interpretes.

Fazem parte deste CD as seguintes faixas musicais:

Por S.Martinho das Amoreiras:
  1. A roseira enxertada
  2. Abalaste para Lisboa
  3. Eu gostava de cantar
  4. Na tua casa está entrando outro macho
  5. Cheira bem, cheira a Lisboa
  6. Hoje não há vergonha
  7. Laurindinha
  8. Os meninos de Huambo
  9. Ó minha pombinha branca
  10. Para lá de Lisboa ainda
  11. Não é tarde nem é cedo
  12. Sol de Badajoz
  13. Corridinho de S.Martinho
  14. Incêndios na Serra de Monchique
  15. Pastorinha
  16. Vamos a elas
  17. Fonte das sete bicas
  18. Rola cobiçada
  19. Venho da Ribeira Nova
  20. Marcha ribatejana
  21. Tudo isto é S.Martinho
  22. Ó tempo volta para trás
  23. Viagra
  24. Rosas da despedida
  25. São Martinho em festa
Por Colos:
  1. Moda do Zé Pancinha
  2. Pensei em mudar de vida
  3. Morena da raça
  4. Estas moças de hoje em dia
  5. O passarinho
  6. Anedota da pachacha
  7. Nasce o sol no Alentejo
  8. Anedota do cigano
  9. Aldeia das Amoreiras
  10. Fui à campa de minha mãe
 
  
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Eira da Lagoa - As obras continuam

Em Portugal, por todo o lado, é muito comum utilizar-se a expressão popular "... é como as obras de Santa Engrácia" para designar qualquer tarefa que depois de iniciada, não tem fim à vista.
Assim começa a população de Colos a falar para se referirem ás obras na Eira da Lago.
Costuma-se também dizer, popularmente, que "...o que nasce torto nunca mais se endireita", e como tal já são muitas as histórias em redor desta estranha obra, desde a aprovação de um projecto mal concebido e que em nada beneficia o espaço para onde foi projectado, passando pela indignação dos residentes das ruas inferiores adjacentes ao largo da Eira que viram crescer, de um dia para o outro, paredes duas ou três vezes mais altas que a altura das suas residências, ficando literalmente virados para o betão, passando também pelo bloqueio total das ruas que directamente davam acesso à Escola EB 3+2, deixando apenas uma rua como acesso directo, já ela bastante mal tratada e mal projectada e agora também prejudicada pelas obras de urbanização do terreno contiguo, e finalmente, acontecendo o impensável, com um dos muros de betão já entretanto construídos, a colapsar e cair totalmente deixando no ar e a nu a má qualidade de construção, é caso para perguntar: se agora é assim como será de futuro?

 
  
  
  
  
  
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A modernidade necessária ou o futuro indesejado?

Ainda existem pessoas no meu país que apenas querem viver e criar os filhos num ambiente tranquilo e livre da urbanização progressiva e galopante.
Infelizmente o tempo, esse maldito não perdoa, e não se compadece com as pessoas, mas pode-se tentar fintar o progresso indesejado, a muito custo e com inúmeros sacrifícios pessoais, profissionais e sociais.
A vida das aldeias, a vida rural, sossegada e longe do rebuliço das cidades, está ameaçada tal como a conhecemos, o chamado progresso invade territórios até agora inexplorados e é preciso agir o quanto antes.
Sou um crítico severo da vida urbana, do progresso tal como é normalmente entendido e da agitação moderna que apenas leva a vidas desgastadas, rancorosas e perdidas por entre a poluição generalizada e do betão das grandes urbes.
Escolhi viver na aldeia, na província, não porque me tenha mudado de um outro sítio qualquer, mas sim porque já aqui nasci e fui criado, e como tal aqui pertenço, as minhas raízes são estas e aqui estão bastante enterradas, não emigrei, não fui em busca de outra vida, não sinto nem nunca senti falta desses expedientes, entendo que o homem deve viver na sua terra e da sua terra, no seu povo e com o seu povo, sem interferências exteriores estranhas e destabilizantes.
Não escolhi viver na urbe como inúmeros conterrâneos que a seu tempo fizeram malas e escondidos numa qualquer cidade sem nome, por entre os prédios que chegam ao céu, comem diariamente o pão que o diabo amassa para terem o que chamam de salário justo e nível de vida dentro do que eles próprios chamam moderno e entendem como melhor, salário mínimo ou pouco mais, décimo terceiro e subsidio de férias em troca de qualquer trabalho que ninguém precisa de saber qual é, uma casa para pagar em 30 ou 40 anos, carro, electrodomésticos, móveis e sabe-se lá mais o quê comprados com recurso ao crédito no tempo das vacas gordas.
Algumas viagens à terra repartidas pelo Natal e férias de verão, montados no melhor automóvel que o crédito pôde comprar para fazer vista aos “parvos” que por cá ficaram no fim do mundo, não interessa o resto, o que faz falta é fazer vista e causar inveja, mesmo que depois o banco venha buscar o carrinho ou o resto das coisas por falta de pagamento.
Parvos sim, porque para esta gente que foi embora, para a urbe ou para o estrangeiro, os que por cá ficam são eternamente parvos e menos inteligentes apenas porque decidiram que as suas raízes são mais fortes que qualquer chamamento modernista e monetário.
Nada tenho contra os emigrantes, desejo-lhes as maiores felicidades, apenas quero salvaguardar a minha identidade, residência e nacionalidade histórica, não gosto de ser considerado mais estúpido ou menos inteligente porque fiz uma escolha em consciência e tento preservar intactas as minha raízes até ao dia da minha morte.
Tenho pena que as actuais famílias apenas acreditam na ditadura do dinheiro, é a cultura do materialismo, e demitiram-se do resto, educação tradicional, valores, história, heranças, etc.
Eu escolhi viver assim, escolhi viver na minha terra, escondida na imensidão do Alentejo, por entre a serra e a planície, entre sobreiros e azinheiras, decidi viver de forma habitual, tranquila, sem pressas nem confusões, e fico triste, revoltado e confuso quando vejo a modernidade indesejada a tentar furar o bloqueio e instalar-se de forma permanente, corrompendo, gerando a confusão, criando um falso sentido modernista que não é mais que niilismo politico/partidário encapotado sob a forma de progresso e bem estar mas aos olhos mais treinados e para as cabeças menos manipuladas não passa da tentativa descarada e crescente da destruição da identidade pessoal, histórica e arquitectónica dos lugares, aldeias e vilas do Alentejo.
Exemplos disto tudo que acabei de escrever são as inúmeras pequenas e medias obras públicas que proliferam por ai como cogumelos e que nada têm a ver, por exemplo, com as questões de arquitectura regional e local.
Escolas, ruas, avenidas, edifícios públicos, privados, jardins, fontanários, fachadas, etc., etc.……tudo foge ao tradicional e histórico numa vertigem alucinante de horríveis projectos e desenhos saídos da pena de jovens arquitectos e projectistas que muito devem ao bem senso e à inteligência, possivelmente pressionados por superiores quadros municipais que por sua vez são pressionados pelos superiores quadros políticos e partidários que dominam os municípios em Portugal, contra a vontade da maioria dos cidadãos.
O cidadão comum, como eu, vê a sua vila ou aldeia, o espaço físico e afectivo da sua identidade, destruído pelo avanço do betão e demais ofensivas progressistas que nada de bom trazem para a província.
Não se pega num largo quase abandonado com cerca de dois hectares no centro de uma aldeia para o transformar em qualquer coisa que apenas me ocorre o nome de Jardim de Betão, tal é as toneladas dessa matéria que tenho visto ser derramada por entre os espaços onde eu brinquei em miúdo, por entre um pontapé na bola ou um jogo de berlindes em tardes intermináveis de alegria próprias das infâncias que nunca deviam acabar.
É um verdadeiro atentado à memória colectiva e um desperdício de recursos e de um espaço que se queria aproveitado de forma diferente mas dentro dos limites do razoável e digno.
Fazer uma obra que custa cerca de 600.000 Euros e essa obra ser do desagrado da maioria da população a quem se destina é no mínimo revelador do estado de coisas que chegou este país.
Pouco a pouco a vida e as vivências que são próprias das grandes cidades e centros populacionais invadem as aldeias e generalizam-se um pouco por todo o lado, a vida dita moderna, aquela vida onde as pessoas foram reduzidas a meras unidades de produção, onde deixaram de ter vida própria, em verdadeira liberdade, essa vida, como uma erva daninha, tenta e vai conseguindo abrir caminho por entre os escombros derrotados da vida rural e tradicional, é a vitória da globalização nas suas mais tenebrosas facetas escondidas.
As aldeias alentejanas estão a ser transformadas em dormitórios das sedes de concelho ou das sedes distritais, tal como aconteceu com as periferias das grandes cidades, onde não existe vida para além da vida dentro das paredes da habitação de cada um, são bairros mortos, sem vida própria ou social, sem tradições, sem cultura ou identidade próprias, muitas vezes mais parecem campos de refugiados ou simplesmente confundem-se com a periferia de uma qualquer país africano, tal é a quantidade de emigrantes, legais e ilegais, que os escolhem para servir de casa ou esconderijo nas suas vidas perdidas ou criminosas.
A contínua descaracterização das vilas e aldeias da província tem passado por várias fases e etapas, todas mais ou menos elaboradas e premeditadas pelos sucessivos governos e autarquias saídos da revolução dos cravos, etapas essas que foram gradualmente aceleradas e incentivadas a partir de 1986 com a adesão, não referendada, à CEE, agora chamada de União Europeia, ou vulgarmente também apelidada de clube dos federastas europeus.
Promessas de combate ao isolamento e à desertificação são meras palavras ao vento em tempo de eleições, na prática nada é feito no sentido de inverter a situação existente, mas no sentido oposto sim, são tomadas medidas e aprovadas leis que contribuem e muito para a chamada desertificação do interior.
Por mim, sinto-me um vencido da vida, mas recuso-me a render perante a realidade arrepiante e um pensamento de futuro negro, o maior bem de um homem tem de ser, sempre, o seu passado, memória e identidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Team Colos TT - Sociedade Recreativa Colense na Resistência de Odemira

Realizou-se no passado dia 27 de Dezembro a I Resistência/Troféu TT Lontras do Mira, que teve lugar na Herdade do Telheiro a cerca de 3 Km de Odemira.
A prova, aberta a motos TT e Quads, teve a primeira participação oficial de uma equipa do Team Colos TT /SRC (Sociedade Recreativa Colense), que inscreveu duas motos pilotadas pelos colenses Luis Matias e Ricardo "Boga" Loução.
Organizada pelo moto clube Lontras do Mira, a prova tinha a duração de 50 minutos mais uma volta e estava repartida por três classes: MX1, MX2 e Quads.
O Team Colos TT /SRC, que integrava a classe MX2 com uma Yamaha YZ426 e uma Honda XR400, teve uma participação positiva, mesmo que apenas uma das motos tivesse completado a prova, o piloto Luis Matias teve problemas logo na 3ª volta e desistiu com o cabo de embraiagem da sua Yamaha partido, por sua vez o piloto Ricardo "Boga" Loução, na sua Honda XR400, completou a totalidade do tempo de prova conseguindo assim um excelente resultado para quem se iniciava nestes lides desportivas.
Esta de parabéns o Team Colos TT /SRC, por mais esta iniciativa que espero seja para repetir no futuro e em mais provas desta natureza, abrindo assim uma nova actividade na historia da SRC.

 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sociedade Recreativa Colense - 75 Anos ao Serviço da Cultura e Desporto

O jornal Costa a Costa, na sua edição de Dezembro, dá destaque nas suas páginas centrais ao 75º aniversário da Sociedade Recreativa Colense.
A este propósito foi pedido a este vosso escriba que passasse ao papel algumas palavras sobre a história da SRC.
Embora com muito pouco tempo para tentar aprofundar o tema e tentar saber mais sobre a real história da SRC e seus protagonistas, tentei dar em poucas palavras uma perspectiva dos 75 anos que se assinalam, falando dos períodos, factos e acontecimentos mais importantes nesta colectividade que é uma das mais antigas do Concelho de Odemira.
É esse texto publicado no jornal Costa a Costa, de minha autoria, que aqui vos deixo hoje:

 A Sociedade Recreativa Colense completou no passado dia 15 de Novembro 75 anos de existência. Efectivamente foi nesse longínquo dia de 1934 que um grupo de notáveis Colenses fundou a colectividade que tem sido um farol da nossa terra ao serviço da cultura e do desporto na freguesia de Colos.
A data da fundação, 1934, não deve estar alheia à nova constituição da República portuguesa, datada de 1932, onde a consolidação da ideia de nação em Portugal, o centro da política cultural do Estado Novo, ficaria a cargo de uma instituição governamental, o SPN, Secretariado de Propaganda Nacional, criado em 1933 e dirigido pelo então jornalista António Ferro. A cargo deste secretariado ficava a árdua tarefa de, nas palavras de Salazar, "elevar o espírito da gente portuguesa no conhecimento do que é e realmente vale, como grupo étnico, como meio cultural, como força de produção, como capacidade civilizadora, como unidade independente no concerto das nações; clamar, gritar incessantemente o que é contra o que se diz ser; repor constantemente coisas no terreno nacional, referi-las sempre à nação…”
Esta política durou até ao final dos anos 40 e ficou conhecida como "política do espírito". Nos anos 30 e 40 o Estrado Novo apresentava uma frescura e um entusiasmo próprios de um Regime que acabava de chegar ao poder e isso reflectia-se em todos os aspectos culturais do país, das cidades às aldeias, no cinema, no teatro e também nas novas associações recreativas que comungavam dos mesmos valores morais e até político.
Em 1957 a Sociedade Recreativa Colense sofre uma reestruturação através um novo grupo de sócios, uma espécie de refundação, digo eu, e muito gostaria eu de saber mais sobre esse período, aliás, toda a história da SRC carece de ser estudada e escrita com o maior rigor possível, é um trabalho que necessita de ser efectuado o mais rápido possível, enquanto alguns dos protagonistas ainda se encontram vivos e sob pena de se perder para sempre no tempo toda a sua real e verdadeira história.
Existem fotos deste período mas não se sabe muito bem o contexto nem o que representam as fotos, existe também a acta dessa data onde constam os nomes dos sócios presentes.
Contam os mais velhos que antes do 25 de Abril, no antigo regime, aquela era uma casa de respeito, onde a entrada era seleccionada e onde se retirava o chapéu para entrar, imagino eu que seria um espaço austero, de tertúlia entre uma determinada classe social de Colos, a pequena e alta burguesia e proprietários agrícolas, onde se jogava bilhar, xadrez e damas, e onde havia também uma pequena biblioteca, ainda existente, era também promovida a modalidade do futebol, existem algumas fotografias dessa altura ainda no antigo campo de futebol
Existente também até meados da década de 90, foi um pequeno palco situado imediatamente à direita da actual entrada e onde funciona agora o bar do edifício sede, a tudo isto não é estranho à vocação cultural e recreativa da SRC, não se sabendo se realmente essa vertente cultural era ou não aproveitada pelos sócios frequentadores.
No período pós 25 de Abril a SRC deve ter sofrido algumas convulsões próprias da época e do PREC, aparece uma nova designação, União Desportiva Recreativa Colense, UDRC, mais uma vez desconheço o porquê dessa decisão e os factores que levaram a tal.
Foi durante esse período que nasce o actual campo de futebol e balneários, sendo o terreno para o campo “emprestado” assim como o terreno dos balneários, que é outro e não pertence ao mesmo proprietário do terreno do campo de jogos, situações apenas compreendidas face aos ventos revolucionários vividos por essa altura em Portugal e que tudo permitiam fazer e decidir, por essas decisões erradas estamos hoje a viver um problema, onde, precisando os balneários de ampliação e o campo de obras, as mesmas não se podem efectuar porque não pertencem os imóveis à colectividade.
Por essa altura a SRC/UDRC tinha excelentes equipas de futebol, essencialmente constituídas por jogadores oriundos de Sines, e disputava o campeonato distrital da INATEL com grandes resultados. O campeonato por essa altura era jogado em todo o distrito, e não apenas regionalmente como é hoje, e por isso a equipa tinha deslocações longe neste imenso Alentejo, recordo com saudades as deslocações a Vale de Vargo e Vila Nova da Baronia, por exemplo, apenas para referir algumas.
Nos anos 80 a SRC continua progressivamente a ser um pólo aglutinador da juventude, com o futebol sempre à cabeça, continua a militar na INATEL mas com equipas mais modestas, serve-se o propósito de ocupar os Domingos à população e retirar os jovens de caminhos desviantes, a equipa de 19888/89 acabou a década da melhor forma com a conquista do primeiro lugar da série onde estavam inseridos, mas o êxito foi ainda maior porque a equipa era constituída por rapazes genuinamente colenses, era uma equipa totalmente composta pela “prata da casa”, o que tornou o feito memorável e a data registada e relembrada sempre que se fala do futebol da SRC dos últimos 35 anos.
Ainda durante a década de 80, a SRC, continuando a sua vocação cultural e recreativa, cedia periodicamente a sala da sua sede para exibições de cinema ambulante, permitindo assim a muitas crianças, jovens e adultos o contacto regular com o cinema, se bem que os filmes nem sempre fossem os mais indicados, culturalmente falando, mesmo assim um facto a assinalar na história da SRC.
Por esta altura também a direcção então em exercício consegue concretizar a compra da casa onde sempre funcionou a sede da SRC e colocar tudo legalizado e em nome da SRC, abrindo assim caminho às tão ambicionadas obras que a antiga casa necessitava, iniciando assim a década de 90 com novos horizontes a conquistar.
Lamentavelmente o estado da sede era realmente mau e a SRC, sem dinheiro para obras imediatas, e sem direcção para assumir o rumo, fecha portas por um período indefinido.
Não posso precisar as datas de fecho e depois de reabertura, foi tudo no inicio da década de 90 e a SRC esteve fechada alguns anos até que um grupo de sócios decide reunir e formar uma comissão para efectuar obras e reabrir as portas, coisa que se concretiza depois de a casa ter sido alvo de uma quase remodelação, foi colocado um novo telhado, uns novos soalhos, acabou-se com o já falado palco e mudou-se a localização do bar, construíram-se novos sanitários e reparou-se as paredes exteriores e interiores.
Ao longo de toda a década de 90 o futebol continua a ser o desporto de eleição, com a equipa da SRC a conquistar mais algumas vezes o primeiro lugar das séries que disputava, mas outras modalidades já fizeram parte da história desportiva da associação, por exemplo o ciclismo em meados da década de 60, e neste final de século XX a SRC volta-se para a promoção de outras actividades desportivas, não só como forma de promover e proporcionar a todos os associados e atletas uma variedade mais alargada de diversão e distracção, mas também como forma de angariação de fundos monetários sempre escassos e necessários neste tipo de associações. Devido a alguns sócios terem actividade e entusiasmo em desportos motorizados surge em 1997 a ideia de organizar algumas provas de autocross que foram um verdadeiro sucesso, quer a nível desportivo, quer a nível financeiro, a SRC expandia assim a sua vertente recreativa e desportiva.
Com a chegada do novo milénio o SRC continua o seu caminho, o importante, sempre, é manter a sede aberta e a funcionar, e por esta altura surge a oportunidade de compra do edifício em ruínas que gemina com as traseiras da casa da sede e onde funcionava uma padaria que entretanto tinha encerrado, como as verbas próprias da SRC não chegavam para cobrir o preço pedido pelo proprietário pede-se apoio financeiro à Câmara Municipal de Odemira para que não se perca este ensejo único, depois de uma reunião o tão desejado apoio é disponibilizado e a SRC consegue assim efectuar a compra do edifício/terreno, e sonhar assim com a ambicionada ampliação/construção de um novo edifício sede.
Já em 2009, com a eleição de uma nova e dinâmica direcção, a sede SRC é de novo alvo de algumas necessárias obras de remodelação e conservação e abre as portas para mais dois anos de actividade, coincidindo com o 75º aniversário, organizando-se as comemorações possíveis para a altura e com o escasso tempo disponível, e surgindo mais uma vez a ideia de algo diferente decide-se avançar para a realização de um passeio TT aberto a Jipes, motos e quads, e mais uma vez o acontecimento foi um sucesso e a aposta ganha, tendo a espectacularidade da Natureza como companheira omnipresente, a 1ª edição do Passeio TT da SRC atraiu a Colos um número elevado de visitantes, cerca de 75 veículos e mais de 100 pessoas envolvidas efectuam os 120Km de percurso que passou por caminhos e trilhos onde as paisagens deslumbrantes, a aventura e a adrenalina fazem as delícias de todos os participantes que levam de Colos e da SRC a melhor imagem possível, de rigor e organização.
Com os olhos postos no presente mas nunca esquecendo o passado para poder projectar o futuro da melhor forma, a SRC actual é sinónimo de juventude, desporto, cultura e diversão, local de aglutinação dos jovens de Colos, devia ser olhada, sempre, pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal de Odemira, como um parceiro indiscutível na contínua promoção e realização de actividades que possam reunir a população em torno de ideais comuns de diversão e recreação destinadas as novos e menos novos, a todos sem excepção, às crianças, aos jovens, aos trabalhadores, aos idosos e aos visitantes e forasteiros que nos visitam.
Para o novo ano que se inicia as ambições renovam-se, prevê-se a realização de novos e inéditos objectivos na área da cultura, mas também na área do desporto nas suas variadas vertentes, sendo o futebol uma das áreas onde a SRC quer de novo vencer e convencer.
Para isso muito se deseja a construção de novos equipamentos, como um novo e funcional campo de futebol, com novos balneários e iluminação, realização que se prevê concretizada num curto espaço de tempo segundo as promessas dos responsáveis da Câmara Municipal de Odemira.
A construção de um novo edifício sede também deve ser ambição e objectivo a médio/longo prazo, devendo para isso a SRC delinear uma estratégia que envolva as mais diversas forças vivas da terra, assim como a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, entidades cujo apoio é sempre imprescindíveis para a realização dos mais diversos projectos e ambições da SRC e dos seus amigos e sócios.

Fernando M. Fraquito