sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A modernidade necessária ou o futuro indesejado?

Ainda existem pessoas no meu país que apenas querem viver e criar os filhos num ambiente tranquilo e livre da urbanização progressiva e galopante.
Infelizmente o tempo, esse maldito não perdoa, e não se compadece com as pessoas, mas pode-se tentar fintar o progresso indesejado, a muito custo e com inúmeros sacrifícios pessoais, profissionais e sociais.
A vida das aldeias, a vida rural, sossegada e longe do rebuliço das cidades, está ameaçada tal como a conhecemos, o chamado progresso invade territórios até agora inexplorados e é preciso agir o quanto antes.
Sou um crítico severo da vida urbana, do progresso tal como é normalmente entendido e da agitação moderna que apenas leva a vidas desgastadas, rancorosas e perdidas por entre a poluição generalizada e do betão das grandes urbes.
Escolhi viver na aldeia, na província, não porque me tenha mudado de um outro sítio qualquer, mas sim porque já aqui nasci e fui criado, e como tal aqui pertenço, as minhas raízes são estas e aqui estão bastante enterradas, não emigrei, não fui em busca de outra vida, não sinto nem nunca senti falta desses expedientes, entendo que o homem deve viver na sua terra e da sua terra, no seu povo e com o seu povo, sem interferências exteriores estranhas e destabilizantes.
Não escolhi viver na urbe como inúmeros conterrâneos que a seu tempo fizeram malas e escondidos numa qualquer cidade sem nome, por entre os prédios que chegam ao céu, comem diariamente o pão que o diabo amassa para terem o que chamam de salário justo e nível de vida dentro do que eles próprios chamam moderno e entendem como melhor, salário mínimo ou pouco mais, décimo terceiro e subsidio de férias em troca de qualquer trabalho que ninguém precisa de saber qual é, uma casa para pagar em 30 ou 40 anos, carro, electrodomésticos, móveis e sabe-se lá mais o quê comprados com recurso ao crédito no tempo das vacas gordas.
Algumas viagens à terra repartidas pelo Natal e férias de verão, montados no melhor automóvel que o crédito pôde comprar para fazer vista aos “parvos” que por cá ficaram no fim do mundo, não interessa o resto, o que faz falta é fazer vista e causar inveja, mesmo que depois o banco venha buscar o carrinho ou o resto das coisas por falta de pagamento.
Parvos sim, porque para esta gente que foi embora, para a urbe ou para o estrangeiro, os que por cá ficam são eternamente parvos e menos inteligentes apenas porque decidiram que as suas raízes são mais fortes que qualquer chamamento modernista e monetário.
Nada tenho contra os emigrantes, desejo-lhes as maiores felicidades, apenas quero salvaguardar a minha identidade, residência e nacionalidade histórica, não gosto de ser considerado mais estúpido ou menos inteligente porque fiz uma escolha em consciência e tento preservar intactas as minha raízes até ao dia da minha morte.
Tenho pena que as actuais famílias apenas acreditam na ditadura do dinheiro, é a cultura do materialismo, e demitiram-se do resto, educação tradicional, valores, história, heranças, etc.
Eu escolhi viver assim, escolhi viver na minha terra, escondida na imensidão do Alentejo, por entre a serra e a planície, entre sobreiros e azinheiras, decidi viver de forma habitual, tranquila, sem pressas nem confusões, e fico triste, revoltado e confuso quando vejo a modernidade indesejada a tentar furar o bloqueio e instalar-se de forma permanente, corrompendo, gerando a confusão, criando um falso sentido modernista que não é mais que niilismo politico/partidário encapotado sob a forma de progresso e bem estar mas aos olhos mais treinados e para as cabeças menos manipuladas não passa da tentativa descarada e crescente da destruição da identidade pessoal, histórica e arquitectónica dos lugares, aldeias e vilas do Alentejo.
Exemplos disto tudo que acabei de escrever são as inúmeras pequenas e medias obras públicas que proliferam por ai como cogumelos e que nada têm a ver, por exemplo, com as questões de arquitectura regional e local.
Escolas, ruas, avenidas, edifícios públicos, privados, jardins, fontanários, fachadas, etc., etc.……tudo foge ao tradicional e histórico numa vertigem alucinante de horríveis projectos e desenhos saídos da pena de jovens arquitectos e projectistas que muito devem ao bem senso e à inteligência, possivelmente pressionados por superiores quadros municipais que por sua vez são pressionados pelos superiores quadros políticos e partidários que dominam os municípios em Portugal, contra a vontade da maioria dos cidadãos.
O cidadão comum, como eu, vê a sua vila ou aldeia, o espaço físico e afectivo da sua identidade, destruído pelo avanço do betão e demais ofensivas progressistas que nada de bom trazem para a província.
Não se pega num largo quase abandonado com cerca de dois hectares no centro de uma aldeia para o transformar em qualquer coisa que apenas me ocorre o nome de Jardim de Betão, tal é as toneladas dessa matéria que tenho visto ser derramada por entre os espaços onde eu brinquei em miúdo, por entre um pontapé na bola ou um jogo de berlindes em tardes intermináveis de alegria próprias das infâncias que nunca deviam acabar.
É um verdadeiro atentado à memória colectiva e um desperdício de recursos e de um espaço que se queria aproveitado de forma diferente mas dentro dos limites do razoável e digno.
Fazer uma obra que custa cerca de 600.000 Euros e essa obra ser do desagrado da maioria da população a quem se destina é no mínimo revelador do estado de coisas que chegou este país.
Pouco a pouco a vida e as vivências que são próprias das grandes cidades e centros populacionais invadem as aldeias e generalizam-se um pouco por todo o lado, a vida dita moderna, aquela vida onde as pessoas foram reduzidas a meras unidades de produção, onde deixaram de ter vida própria, em verdadeira liberdade, essa vida, como uma erva daninha, tenta e vai conseguindo abrir caminho por entre os escombros derrotados da vida rural e tradicional, é a vitória da globalização nas suas mais tenebrosas facetas escondidas.
As aldeias alentejanas estão a ser transformadas em dormitórios das sedes de concelho ou das sedes distritais, tal como aconteceu com as periferias das grandes cidades, onde não existe vida para além da vida dentro das paredes da habitação de cada um, são bairros mortos, sem vida própria ou social, sem tradições, sem cultura ou identidade próprias, muitas vezes mais parecem campos de refugiados ou simplesmente confundem-se com a periferia de uma qualquer país africano, tal é a quantidade de emigrantes, legais e ilegais, que os escolhem para servir de casa ou esconderijo nas suas vidas perdidas ou criminosas.
A contínua descaracterização das vilas e aldeias da província tem passado por várias fases e etapas, todas mais ou menos elaboradas e premeditadas pelos sucessivos governos e autarquias saídos da revolução dos cravos, etapas essas que foram gradualmente aceleradas e incentivadas a partir de 1986 com a adesão, não referendada, à CEE, agora chamada de União Europeia, ou vulgarmente também apelidada de clube dos federastas europeus.
Promessas de combate ao isolamento e à desertificação são meras palavras ao vento em tempo de eleições, na prática nada é feito no sentido de inverter a situação existente, mas no sentido oposto sim, são tomadas medidas e aprovadas leis que contribuem e muito para a chamada desertificação do interior.
Por mim, sinto-me um vencido da vida, mas recuso-me a render perante a realidade arrepiante e um pensamento de futuro negro, o maior bem de um homem tem de ser, sempre, o seu passado, memória e identidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Team Colos TT - Sociedade Recreativa Colense na Resistência de Odemira

Realizou-se no passado dia 27 de Dezembro a I Resistência/Troféu TT Lontras do Mira, que teve lugar na Herdade do Telheiro a cerca de 3 Km de Odemira.
A prova, aberta a motos TT e Quads, teve a primeira participação oficial de uma equipa do Team Colos TT /SRC (Sociedade Recreativa Colense), que inscreveu duas motos pilotadas pelos colenses Luis Matias e Ricardo "Boga" Loução.
Organizada pelo moto clube Lontras do Mira, a prova tinha a duração de 50 minutos mais uma volta e estava repartida por três classes: MX1, MX2 e Quads.
O Team Colos TT /SRC, que integrava a classe MX2 com uma Yamaha YZ426 e uma Honda XR400, teve uma participação positiva, mesmo que apenas uma das motos tivesse completado a prova, o piloto Luis Matias teve problemas logo na 3ª volta e desistiu com o cabo de embraiagem da sua Yamaha partido, por sua vez o piloto Ricardo "Boga" Loução, na sua Honda XR400, completou a totalidade do tempo de prova conseguindo assim um excelente resultado para quem se iniciava nestes lides desportivas.
Esta de parabéns o Team Colos TT /SRC, por mais esta iniciativa que espero seja para repetir no futuro e em mais provas desta natureza, abrindo assim uma nova actividade na historia da SRC.

 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sociedade Recreativa Colense - 75 Anos ao Serviço da Cultura e Desporto

O jornal Costa a Costa, na sua edição de Dezembro, dá destaque nas suas páginas centrais ao 75º aniversário da Sociedade Recreativa Colense.
A este propósito foi pedido a este vosso escriba que passasse ao papel algumas palavras sobre a história da SRC.
Embora com muito pouco tempo para tentar aprofundar o tema e tentar saber mais sobre a real história da SRC e seus protagonistas, tentei dar em poucas palavras uma perspectiva dos 75 anos que se assinalam, falando dos períodos, factos e acontecimentos mais importantes nesta colectividade que é uma das mais antigas do Concelho de Odemira.
É esse texto publicado no jornal Costa a Costa, de minha autoria, que aqui vos deixo hoje:

 A Sociedade Recreativa Colense completou no passado dia 15 de Novembro 75 anos de existência. Efectivamente foi nesse longínquo dia de 1934 que um grupo de notáveis Colenses fundou a colectividade que tem sido um farol da nossa terra ao serviço da cultura e do desporto na freguesia de Colos.
A data da fundação, 1934, não deve estar alheia à nova constituição da República portuguesa, datada de 1932, onde a consolidação da ideia de nação em Portugal, o centro da política cultural do Estado Novo, ficaria a cargo de uma instituição governamental, o SPN, Secretariado de Propaganda Nacional, criado em 1933 e dirigido pelo então jornalista António Ferro. A cargo deste secretariado ficava a árdua tarefa de, nas palavras de Salazar, "elevar o espírito da gente portuguesa no conhecimento do que é e realmente vale, como grupo étnico, como meio cultural, como força de produção, como capacidade civilizadora, como unidade independente no concerto das nações; clamar, gritar incessantemente o que é contra o que se diz ser; repor constantemente coisas no terreno nacional, referi-las sempre à nação…”
Esta política durou até ao final dos anos 40 e ficou conhecida como "política do espírito". Nos anos 30 e 40 o Estrado Novo apresentava uma frescura e um entusiasmo próprios de um Regime que acabava de chegar ao poder e isso reflectia-se em todos os aspectos culturais do país, das cidades às aldeias, no cinema, no teatro e também nas novas associações recreativas que comungavam dos mesmos valores morais e até político.
Em 1957 a Sociedade Recreativa Colense sofre uma reestruturação através um novo grupo de sócios, uma espécie de refundação, digo eu, e muito gostaria eu de saber mais sobre esse período, aliás, toda a história da SRC carece de ser estudada e escrita com o maior rigor possível, é um trabalho que necessita de ser efectuado o mais rápido possível, enquanto alguns dos protagonistas ainda se encontram vivos e sob pena de se perder para sempre no tempo toda a sua real e verdadeira história.
Existem fotos deste período mas não se sabe muito bem o contexto nem o que representam as fotos, existe também a acta dessa data onde constam os nomes dos sócios presentes.
Contam os mais velhos que antes do 25 de Abril, no antigo regime, aquela era uma casa de respeito, onde a entrada era seleccionada e onde se retirava o chapéu para entrar, imagino eu que seria um espaço austero, de tertúlia entre uma determinada classe social de Colos, a pequena e alta burguesia e proprietários agrícolas, onde se jogava bilhar, xadrez e damas, e onde havia também uma pequena biblioteca, ainda existente, era também promovida a modalidade do futebol, existem algumas fotografias dessa altura ainda no antigo campo de futebol
Existente também até meados da década de 90, foi um pequeno palco situado imediatamente à direita da actual entrada e onde funciona agora o bar do edifício sede, a tudo isto não é estranho à vocação cultural e recreativa da SRC, não se sabendo se realmente essa vertente cultural era ou não aproveitada pelos sócios frequentadores.
No período pós 25 de Abril a SRC deve ter sofrido algumas convulsões próprias da época e do PREC, aparece uma nova designação, União Desportiva Recreativa Colense, UDRC, mais uma vez desconheço o porquê dessa decisão e os factores que levaram a tal.
Foi durante esse período que nasce o actual campo de futebol e balneários, sendo o terreno para o campo “emprestado” assim como o terreno dos balneários, que é outro e não pertence ao mesmo proprietário do terreno do campo de jogos, situações apenas compreendidas face aos ventos revolucionários vividos por essa altura em Portugal e que tudo permitiam fazer e decidir, por essas decisões erradas estamos hoje a viver um problema, onde, precisando os balneários de ampliação e o campo de obras, as mesmas não se podem efectuar porque não pertencem os imóveis à colectividade.
Por essa altura a SRC/UDRC tinha excelentes equipas de futebol, essencialmente constituídas por jogadores oriundos de Sines, e disputava o campeonato distrital da INATEL com grandes resultados. O campeonato por essa altura era jogado em todo o distrito, e não apenas regionalmente como é hoje, e por isso a equipa tinha deslocações longe neste imenso Alentejo, recordo com saudades as deslocações a Vale de Vargo e Vila Nova da Baronia, por exemplo, apenas para referir algumas.
Nos anos 80 a SRC continua progressivamente a ser um pólo aglutinador da juventude, com o futebol sempre à cabeça, continua a militar na INATEL mas com equipas mais modestas, serve-se o propósito de ocupar os Domingos à população e retirar os jovens de caminhos desviantes, a equipa de 19888/89 acabou a década da melhor forma com a conquista do primeiro lugar da série onde estavam inseridos, mas o êxito foi ainda maior porque a equipa era constituída por rapazes genuinamente colenses, era uma equipa totalmente composta pela “prata da casa”, o que tornou o feito memorável e a data registada e relembrada sempre que se fala do futebol da SRC dos últimos 35 anos.
Ainda durante a década de 80, a SRC, continuando a sua vocação cultural e recreativa, cedia periodicamente a sala da sua sede para exibições de cinema ambulante, permitindo assim a muitas crianças, jovens e adultos o contacto regular com o cinema, se bem que os filmes nem sempre fossem os mais indicados, culturalmente falando, mesmo assim um facto a assinalar na história da SRC.
Por esta altura também a direcção então em exercício consegue concretizar a compra da casa onde sempre funcionou a sede da SRC e colocar tudo legalizado e em nome da SRC, abrindo assim caminho às tão ambicionadas obras que a antiga casa necessitava, iniciando assim a década de 90 com novos horizontes a conquistar.
Lamentavelmente o estado da sede era realmente mau e a SRC, sem dinheiro para obras imediatas, e sem direcção para assumir o rumo, fecha portas por um período indefinido.
Não posso precisar as datas de fecho e depois de reabertura, foi tudo no inicio da década de 90 e a SRC esteve fechada alguns anos até que um grupo de sócios decide reunir e formar uma comissão para efectuar obras e reabrir as portas, coisa que se concretiza depois de a casa ter sido alvo de uma quase remodelação, foi colocado um novo telhado, uns novos soalhos, acabou-se com o já falado palco e mudou-se a localização do bar, construíram-se novos sanitários e reparou-se as paredes exteriores e interiores.
Ao longo de toda a década de 90 o futebol continua a ser o desporto de eleição, com a equipa da SRC a conquistar mais algumas vezes o primeiro lugar das séries que disputava, mas outras modalidades já fizeram parte da história desportiva da associação, por exemplo o ciclismo em meados da década de 60, e neste final de século XX a SRC volta-se para a promoção de outras actividades desportivas, não só como forma de promover e proporcionar a todos os associados e atletas uma variedade mais alargada de diversão e distracção, mas também como forma de angariação de fundos monetários sempre escassos e necessários neste tipo de associações. Devido a alguns sócios terem actividade e entusiasmo em desportos motorizados surge em 1997 a ideia de organizar algumas provas de autocross que foram um verdadeiro sucesso, quer a nível desportivo, quer a nível financeiro, a SRC expandia assim a sua vertente recreativa e desportiva.
Com a chegada do novo milénio o SRC continua o seu caminho, o importante, sempre, é manter a sede aberta e a funcionar, e por esta altura surge a oportunidade de compra do edifício em ruínas que gemina com as traseiras da casa da sede e onde funcionava uma padaria que entretanto tinha encerrado, como as verbas próprias da SRC não chegavam para cobrir o preço pedido pelo proprietário pede-se apoio financeiro à Câmara Municipal de Odemira para que não se perca este ensejo único, depois de uma reunião o tão desejado apoio é disponibilizado e a SRC consegue assim efectuar a compra do edifício/terreno, e sonhar assim com a ambicionada ampliação/construção de um novo edifício sede.
Já em 2009, com a eleição de uma nova e dinâmica direcção, a sede SRC é de novo alvo de algumas necessárias obras de remodelação e conservação e abre as portas para mais dois anos de actividade, coincidindo com o 75º aniversário, organizando-se as comemorações possíveis para a altura e com o escasso tempo disponível, e surgindo mais uma vez a ideia de algo diferente decide-se avançar para a realização de um passeio TT aberto a Jipes, motos e quads, e mais uma vez o acontecimento foi um sucesso e a aposta ganha, tendo a espectacularidade da Natureza como companheira omnipresente, a 1ª edição do Passeio TT da SRC atraiu a Colos um número elevado de visitantes, cerca de 75 veículos e mais de 100 pessoas envolvidas efectuam os 120Km de percurso que passou por caminhos e trilhos onde as paisagens deslumbrantes, a aventura e a adrenalina fazem as delícias de todos os participantes que levam de Colos e da SRC a melhor imagem possível, de rigor e organização.
Com os olhos postos no presente mas nunca esquecendo o passado para poder projectar o futuro da melhor forma, a SRC actual é sinónimo de juventude, desporto, cultura e diversão, local de aglutinação dos jovens de Colos, devia ser olhada, sempre, pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal de Odemira, como um parceiro indiscutível na contínua promoção e realização de actividades que possam reunir a população em torno de ideais comuns de diversão e recreação destinadas as novos e menos novos, a todos sem excepção, às crianças, aos jovens, aos trabalhadores, aos idosos e aos visitantes e forasteiros que nos visitam.
Para o novo ano que se inicia as ambições renovam-se, prevê-se a realização de novos e inéditos objectivos na área da cultura, mas também na área do desporto nas suas variadas vertentes, sendo o futebol uma das áreas onde a SRC quer de novo vencer e convencer.
Para isso muito se deseja a construção de novos equipamentos, como um novo e funcional campo de futebol, com novos balneários e iluminação, realização que se prevê concretizada num curto espaço de tempo segundo as promessas dos responsáveis da Câmara Municipal de Odemira.
A construção de um novo edifício sede também deve ser ambição e objectivo a médio/longo prazo, devendo para isso a SRC delinear uma estratégia que envolva as mais diversas forças vivas da terra, assim como a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, entidades cujo apoio é sempre imprescindíveis para a realização dos mais diversos projectos e ambições da SRC e dos seus amigos e sócios.

Fernando M. Fraquito

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rescaldo do 1º Passeio TT em Colos - Comemorações dos 75 anos da Sociedade Recreativa Colense

O dia começou cinzento, ameaçava chuva, e eu nem dormia havia duas noites, a preocupação apoderou-se de mim e o sono nessas alturas nunca aparece, o dia e grande parte da noite anterior tinham sido para efectuar as últimas marcações dos percursos alternados das motos e dos jipes, afixação de placas, sinalização de caminhos, verificação de outros, muito, mesmo muito trabalho, e que grande escalfa levou a minha velhinha Pick-Up Nissan King-Cab 4X4 por estes dias, fiz cerca de 500 Km entre marcações, verificações e reverificações, afinal tudo tinha de estar na mais perfeita ordem no dia 14, faz parte da tradição organizativa da minha terra, poucas vezes realizamos alguma coisa, mas quando o fazemos sempre é um sucesso reconhecido por todos os que nos visitam.
Continuando: pelas 8:00 horas começaram a aparecer os primeiros participantes, jipes na sua maioria, e eu a pensar, mas onde diabo andam os quads?? Bem, logo depois um grupo de quads fez-se ouvir, seguido de algumas motos de 2 rodas, a coisa começava a compor-se aos poucos, era o primeiro passeio deste género que se organiza aqui e o número de participantes continuava uma incógnita.
Cerca das 8:30 começou a chover com intensidade, eu fiquei maluco......a chuva que eu tanto tinha pedido nas últimas semanas estava a cair justo no dia em que não deveria cair......mas era bem vinda porque a ideia da lama era bem melhor que o pesadelo do pó alentejano. Choveu cerca de 30 minutos, e numa grande extensão do percurso, esta água foi o suficiente para apagar completamente o pó e proporcionar a todos um excelente piso no trilhos a percorrer, a sorte estava do nosso lado.
Com o tempo, até ás 9:00 horas, as inscrições continuavam a bom ritmo, já haviam cerca de 65 inscrições ao todo, entre motos, jipes e quads, o que era muito bom para uma primeira vez, e anda continuavam a chegar participantes de última hora, no fim foram 70 motores a fazer a alvorada para um dia inesquecível.
Arrancamos para a primeira parte do percurso, até ao alto da Senhora das Neves, cerca de 20Km cumpridos a um ritmo diabólico pelos meninos do custume, (eles sabem quem são), mas infelizmente o tempo enevoado não deixou apreciar a fantástica paisagem alentejana, uma pena para as pessoas que vieram de mais longe, até de Lisboa tivemos participantes, mas fica para o próximo ano. O 4X4 apareceram depois, e mesmo assim surpreenderam-me com o bom ritmo imposto pelo carro 001, não havia atrasos no programa, o que era muito bom, tínhamos até um avanço em relação ao programa de cerca de 30 minutos, a malta das duas rodas entreteve-se a subir e descer uma das duas subidas de dificuldade elevada que estavam programadas ao longo do passeio.
Não havendo paisagem para apreciar na Srª das Neves demos a ordem de partida para o próximo ponto de paragem que era no cais de Odemira, junto ao Rio Mira, mais ou menos a meio do percurso e onde se podia abastecer de combustível e onde fizemos o reagrupamento e o petisco da manhã, as condições eram as ideais, estava um parque de estacionamento junto a rio por nossa conta, comida e bebida com fartura, o horário estava a ser cumprido na integra.
Todos com as barrigas cheias e as máquinas abastecidas de ordem demos de novo arranque para a derradeira etapa, faltavam cerca de 55 Km por mais alguns troços selectivos de extrema beleza e onde todos se podiam divertir a pilotar as suas máquinas, lamentavelmente aconteceu aqui o único incidente a lamentar do passeio, ainda dentro de Odemira e logo na partida, ainda em estrada de asfalto, uma Kawasaki de 2 rodas derrapa no piso ainda molhado e atira o seu piloto contra um poste de cimento, como é óbvio foi um acidente invulgar e o piloto não podia mais prosseguir conosco, o passeio foi interrompido de imediato e em menos de 5 minutos duas ambulâncias estavam no local, ainda pensamos mal da vida, mas depois de alguma ponderação e de nos assegurarmos da real condição do ferido, resolvemos continuar, e no fim de contas tudo não passou de um grande susto, o piloto já está em casa a recuperar e aqui o esperamos para a próxima.
Como o caminho onde aconteceu o acidente era estreito as ambulâncias interromperam totalmente o percurso e a solução foi esperar, reagrupamos junto à famosa subida dos Ameixiais, uma "parede" ao estilo da subida impossível, com cerca de 250 metros, para quem quisesse experimentar, coisa que foi ensaiada por alguns bravos do pelotão em 2 rodas, já conhecedores das dificuldades e que nos proporcionaram a todos um grande espectáculo de destreza e coragem, conseguindo apenas dois deles "escalar" a muralha, uma paragem para repetir no próximo ano.
Prosseguimos para a parte final do percurso, agora a paragem seguinte seria já em Colos, completando assim a totalidade do passeio, e esta seria também a etapa mais rápida de todas, cerca de 40km muito ao estilo das bajas, com o melhor piso a pensar essencialmente nos quads, não fosse a escolha e marcação autoria aqui do vosso escriba.
Chegada sem mais problemas para os participantas, sentido de dever cumprido, grande peso removido de cima dos meus ombros, na chegada fiz questão de ir falando com as pessoas, quis ouvir as opiniões, sugestões, etc, só assim se aprende mais para tentar corrigir nos próximos, toda a gente gostou, a opinião era unânime, para um primeiro passeio a organização estava fora de série, acima de quaisqueres expectativas, percurso muito bem marcado (embora eu continue a achar que não, desapareceram muitas marcações e eu não consegui chegar a todo o lado), todos muito satisfeitos, podíamos seguir para o tradicional jantar de convívio que decorreu na maior das normalidades, o meu agradecimento para as cozinheiras e pessoal da cozinha que fizeram um cozido de grão excepcionalmente fantástico.
De salientar que este passeio atravessou 7 estradas asfaltadas, 5 nacionais e 2 camarárias, e em todas havia equipas de quatro elementos devidamente identificados com coletes reflectores, a controlar o trânsito rodoviário, para que as passagens se efectuassem na maior segurança possível, coisa que foi elogiada por todos.
E pronto, deixo algumas fotos, não muitas, este fotógrafo neste dia estava mais virado para a pilotagem e não tinha cabeça para fotografias, deixei essa tarefa entregue ás inúmeras pessoas que assistiram em diversos pontos de percurso, e anda não tenho as fotos todas reunidas.
Bem haja a todos os que participaram, o meu obrigado, voltem sempre e desculpem as maiores, para o ano há mais e melhor!!
Por fim quero endereçar uma palavra de especial agradecimento ao João Delgado, ao André Correia, ao Luís Matias, ao Sílvio Candeias, ao Franklin Loução e ao Ricardo.
Agradeço também à Junta de Freguesia de Colos pelo apoio disponibilizado.

 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Airsoft em Colos

O airsoft é uma modalidade desportiva, de âmbito competitivo ou meramente recreativo, dividida em disciplinas desportivas cujos praticantes são munidos de Armas de Airsoft, que disparam pequenas esferas plásticas através de ar ou um outro gás comprimido.


 
 
 


terça-feira, 27 de outubro de 2009

1º Passeio TT Colos - 75º Aniversário da Sociedade Recreativa Colense

O 1ª edição do Passeio TT da Sociedade Recreativa Colense, vai realizar-se no dia 14 de Novembro de 2009 (Sábado).
Tendo o concelho de Odemira como apanágio e a espectacularidade da Natureza como companheiros omnipresentes, a 1ª edição do Passeio TT da Sociedade Recreativa Colense passará por caminhos e trilhos onde as paisagens deslumbrantes, a aventura e a adrenalina deliciarão todos os participantes.
Assim sendo, convidamo-lo a inscrever-se para que sinta, descubra e se apaixone por estas terras mágicas, onde se mistura História, Arte, Tradição e Natureza.
QUE TENHAM UM BOM PASSEIO, DIVIRTAM-SE, DISFRUTEM E SOBRE TUDO FIQUEM COM VONTADE DE VOLTAR OUTRA VEZ.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eleições Autárquicas 2009 - Freguesia de Colos

Mais umas eleições, já passaram, ficam resultados na minha terra:

 Resultados:
Assembleia de Freguesia:

PS - 253 Votos - 37,54%
BE - 247 Votos - 36,65%
CDU - 139 Votos - 20,62%

Em Branco - 17 Votos - 2.52%
Nulos - 18 Votos - 2,67%

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Criação do Concelho de Colos

 

Criação do Concelho de Colos, devemos lutar por isso? Seria viável? Havia condições?
Vamos por partes, o actual concelho de Odemira é enorme e quase ingovernável em termos geopolíticos e logísticos, é o maior concelho do país, gigantesco, com uma área de 1 719,73 km² , mas um dos menos povoados com 26 106 habitantes (2001), subdividido em 17 freguesias, tem um litoral rico mas um interior pobre e subdesenvolvido.
O actual interior concelho de Odemira vive uma dramática desertificação, sem desenvolvimento, sem esperança, perdendo população, sem investimentos, sem empregos que segurem as pessoas à sua terra e sem possibilidades visíveis de reverter a situação a médio longo prazo.
Este garrote sócio-económico deve-se à Câmara Municipal de Odemira que tudo pode e pouco ou nada faz em prol das populações do interior, sempre olhadas de forma inferior em comparação com as freguesias do litoral, é preciso uma mudança, um corte radical com o passado recente.
A única maneira destas populações se desenvolverem e encontrarem o caminho do seu progresso é a descentralização administrativa através da criação de um novo concelho no actual espaço geográfico do concelho de Odemira, que como já referi, é enorme.
Olhando o mapa do concelho e conhecendo a situação social, económica e geográfica, torna-se evidente que o novo concelho deveria abranger as actuais freguesias de Colos, Reliquias, S.Martinho, Vale de Santiago e Bicos, essa era a solução ideal e realista, sendo a sede de concelho em Colos por razões que passo a enumerar:
Colos é actualmente, das freguesias do interior mencionadas, a que apresenta o melhor índice de desenvolvimento, tem todas as infraestruturas mínimas, esta situada geograficamente no centro das cinco freguesias citadas, possui Escola Secundária, Posto da GNR, Banco, Bomba de Gasolina e serviços variados, as suas gentes são ordeiras e conciliadoras, para alem disto tudo também já foi concelho e seria a escolha mais acertada.
Culturalmente as gentes destas freguesias são idênticas nos seus costumes e tradições, possuindo uma série de manifestações culturais e religiosas que as identificam como uma só.
Juntas estas cinco freguesias representam uma área de 486,269 km² e cerca de 5.500 habitantes, o peso junto do poder central seria outro e poderíamos lutar de igual para igual com os nossos concelhos vizinhos em termos económicos, geograficamente esta separação era perfeita.
Apenas com a secessão esta parte do actual concelho de Odemira poderia aspirar ao progresso, determinando este povo o seu próprio futuro e da sua região
E quem são os Colenses? Para muitos, aqueles que nos conhecem, a resposta é por demais óbvia, contudo para aqueles que pela primeira vez tomam contacto connosco, ou que porventura não nos conhecem o suficiente, digamos simplesmente, sem entrar em considerações de índole doutrinária, que os Colenses puros são todos aqueles que desejam entusiasticamente conhecer e defender as suas raízes e os fundamentos da sua cultura.
Eu próprio, embora não distante de qualquer saudosismo, nostalgia ou concepção museológica do passado, identificando-me com a minha terra e região, acredito contudo, como dizia o poeta Karel Jonckheere, que «Se o passado não tem nenhum significado para o presente, então, o presente não oferece nenhuma vantagem para o futuro».
Com isto tudo não quer dizer que eu seja um progressista, em absoluto, o progressismo é uma volúpia pueril e esquerdista que visa tudo mudar, mesmo aquilo que está correcto e acertado, por outro lado também não sou conservador, o conservadorismo é psicose direitista que procura conservar tudo, mesmo aquilo que está errado.
Ora, esclarecido está que não procuro uma “idade do ouro” perdida, eu, Colense, pretendo, isso sim, construir o futuro da minha terra, da minha comunidade, a partir da sua própria essência, isto é, tendo por base a riqueza da nossa história, a nossa herança cultural e a força material presente no sangue do nosso povo.
Luta sempre pela tua terra! O interior definha. As políticas económicas camarárias em benefício apenas de alguns e as presidências a soldo dos grandes interesses económicos ameaçam o nosso bem-estar futuro. Lutar pelo enraizamento e pelo desenvolvimento das economias locais é urgente por uma questão de justiça, de distribuição da riqueza e de garante de emprego para aqueles que optarem por exercer o elementar direito de viverem na sua terra perto dos seus.
Luta sempre pela tua identidade! Os jovens de hoje são tratados como um rebanho, a quem são impostos modelos culturais com os quais toda a carneirada alinha. Mesmo os mais “alternativos” acabam por defender alguma forma de uniformização à escala mundial, que atenta contra o direito à especificidade de cada pessoa e de cada povo. Defende a tua cultura e a tua forma de estar no mundo! Tu és muito mais do que um número ou uma unidade de consumo entre biliões!Se vou ter problemas com isto? Provavelmente sim, num país onde o politicamente incorrecto é censurado e os seus praticantes são perseguidos até ás ultimas consequências, não estranharei nem é coisa que me seja estranha, já estou habituado a fugir ás correntes de ideia dominantes e a pensar pela minha própria cabeça.Concerteza serei apelidado de maluco, lunático, idiota e demais impropérios, não me importo, todos os visionários foram em tempos tidos como loucos, o futuro vai-se encarregar de me dar a razão que, tenho a certeza, possuo.Pela minha terra!
Por Colos

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Equipas de futebol de Colos a longo dos tempos

Colos sempre foi referência no futebol, desde os anos 30 e 40 do século passado que Colos se evidenciou no futebol com inúmeras equipas de valor constituídas pelos seus melhores jovens.
A fotografia que aqui vos apresento é disso exemplo, uma das formações do Colos, datada, ao que tudo indica, provavelmente na década de 60 do século XX no Campo de Futebol de Reliquias:

 Formação da esquerda para a direita: 
De pé: 
Edmundo Loução, Ferreirinho, Joaquim Eduardo, ?, Faisca, Fontainhas, António da Glória
Em baixo: 
Franklin Loução, Rogério Félix, ?, Manuel Felix, David
Os pontos de interrogação representam os jovens que não reconheço, peço por isso ajuda a quem souber os seus nomes que me contacte

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Foral de Colos

Fotografia/imagem do foral manuelino de Colos, datado de 20 de Setembro de 1510, embora, como se pode ver, a data inscrita nas eclípticas das esferas armilares seja a de 1512, o que significa apenas que a iluminura foi elaborada depois da redacção do Foral.
Esta carta de foral faz parte dos chamados forais novos, que, em tempo de D.Manuel, foram atribuidos a todos os concelhos portugueses, no âmbito de uma reforma levada a cabo, no sentido de modernizar a legislação concelhia arcaica existente até aquele temp.
O foral de Colos tem 11 fólios, ou seja, 22 páginas, onde se regulamenta a vida social, especialmente no que se refere aos aspectos fiscais.
Ao que se sabe, foram elaborados três exemplares iguais, destinados ao arquivo régio, à Ordem de Santiago e à câmara de Colos.
O único hoje existente é o da Ordem de Santiago, e encontra-se actualmente na Torre do Tombo; os outros dois provavelmente perderam-se.
O rosto corresponde a um dos tipos vulgares para concelhos de média importância e é iluminado com os habituais motivos da heráldica manuelina: preenche a parte superior, o escudo real, ladeado por esferas armilares; segue-se tarja com o nome do rei, que inicia o texto, por sua vez emoldurado por cercadura de elementos vegetalistas.

António Martins Quaresma, Colos Contributo para a sua História, Odemira, 1999, p. 20.
(IAN/TT, Casa Forte, Nº18)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Colenses da História - António Brito Paes Falcão


Foi numa manhã de nevoeiro, em Abril de 1924, que António Brito Pães Falcão – juntamente com o eterno companheiro de aventuras, José Manuel Sarmento de Beires – descolou de Vila Nova de Milfontes no seu Breguet. A bordo do “Pátria”, partiu para aquela que foi, na altura, a maior aventura do mundo: ligar Portugal a Macau, no extremo oriente do globo, por via aérea. Afinal, a aventura foi sempre o tónico de António Brito Paes Falcão ao longo da sua vida. Nascido a 15 de Julho de 1884 em Colos, cedo enveredou pela carreira militar, servindo o exército português. Primeiro, em Moçambique e Angola, depois em França e na Flandres, durante a primeira Grande Guerra Mundial.
Romântico inveterado e pioneiro do risco, tirou o brevet de piloto e esteve umbilicalmente ligado aos primeiros passos da aviação militar em Portugal. Em 1922, sem autorização do ministro da Guerra, partiu a bordo do decrépito “Cavaleiro Negro” e tentou um voo directo à Madeira, orientado unicamente por uma bússola, mas o nevoeiro fê-lo cair ao mar, de onde foi resgatado por uma embarcação britânica. Os seus superiores censuraram-no por desobediência e louvaram-no por bravura. Cada vez mais afoito, seguiu-se a viagem até Macau, onde chegou a 20 de Junho 1924. Morreu a 22 de Fevereiro de 1934, da forma mais irónica possível. Depois de ultrapassar e sobreviver às maiores aventuras da época, António Brito Paes Falcão não resistiu a um embate de aviões, provocado por… encandeamento solar. O homem que, contra todos os azares e obstáculos, sobrevivera aos combates da Flandres, que escapara da aventura aérea do voo à  Madeira, que resistira à longa e perigosa viagem a Macau, perecia num estúpido embate de aviões. 
No dia 6 de Abril de 1935, o corpo foi transladado de Lisboa para Colos, em cujo cemitério repousa. À partida do préstimo, esteve presente outra glória da aviação portuguesa: Gago Coutinho. Nesse dia, segundo estimativas do periódico Vida Alentejana, afluíram a Colos mais de 10.000 pessoas, provenientes de todo o distrito. O mesmo semanário (dirigido por Pedro Muralha), chamou então a Brito Paes, em caixa alta, "um herói e um santo", significando a sua coragem física e moral, os seus feitos de armas, o seu pioneirismo aventuroso, a sua nobreza de carácter.
A magnífica epopeia destes dois pioneiros do principio do século não deve ser esquecida, a participação Portuguesa alcançou aqui uma posição de especial relevo. Destacaram-se, então, Brito Paes e Sarmento Beires, que com a sua coragem e dedicação realizaram notáveis feitos em prol da Aeronáutica e da Pátria, os quais melhor apreciaremos se tivermos presente os tempos difíceis que se viviam em Portugal e o limite dos recursos existentes.
 Temos nós, Portugueses, feito justiça a esse grupo de aviadores que iniciaram uma epopeia levando por ar a "CRUZ DE CRISTO" outrora orgulhosamente exibida nas velas que cruzaram os Mares ?

"Habitantes de um País pequeno, pobre e ignorado,
o culto do passado não é um pretexto
para nos envaidecermos com o que já fizemos,
e nos dispensarmos do trabalho de nos levar a fazer
mais alguma coisa…
Receando que nos chamem vaidosos, deixamos
na sombra o que já fizemos e que mais tarde vem
a ser atribuído aos outros…
Assim tem sido sempre, já mesmo no tempo antigo
das nossas descobertas oceânicas,
tão mal apreciadas, lá fora."


Almirante Gago Coutinho

Ermida de Nossa Senhora do Carmo ou da Afincerna


É uma das três ermidas da área rural envolvente da Vila de Colos. Será provavelmente a mais antiga e o seu nome primitivo era Nossa Senhora da Afincerna, nome da actual herdade onde está situada e pelo qual é ainda hoje conhecida. Foi mandada erigir por Cristóvão Correia da Ordem de Santiago, tendo sido concluída em 1518.
O templo é constituído por três áreas distintas: de culto, de habitação e serviços e o alpendre tendo vivido nela quatro frades. Ainda na Segunda metade do séc. XVI recebeu obras conforme indica o retábulo maneirista do altar tendo desaparecido as pinturas murais da decoração inicial.

Igreja Matriz ou Igreja de Nossa Senhora da Assunção


É a Igreja Matriz e sem dúvida o edifício religioso mais importante de Colos. Foi reconstruída em princípios do séc. XVI tendo substituído um templo medieval existente anteriormente no local.
De uma só nave, com cabeceira de capela única, de tipo comum nas pequenas paróquias alentejanas, este templo estava em estado de conclusão em 1518 pela mão de Cristóvão Correia, nobre do Conselho do Rei D. Manuel e vedor da Fazenda do Mestrado de Santiago, foi pois a Ordem de Santiago que, tendo em atenção o novo estatuto municipal que a Vila teve nesse tempo, se incumbiu de aí construir, ou melhor, reconstruir este templo.
Tanto no exterior como no seu interior apresenta sinais de diversas intervenções efectuadas ao longo do tempo. O alpendre, de meados do século XVI, o frontal mistilíneo e a torre, do século XVIII, e pormenores manuelinos, do princípio do século XV (a cruz de Santiago e o acrotério onde se crava a cruz de ferro), bem como as mísulas de onde arrancam nervuras da abóbada, a pedra de fecho da abobada e as duas pias de água benta são de estilo manuelino. O frontão mistilíneo, a torre e o retábulo do altar-mor em talha dourada, são do segundo quartel do séc. XVIII, sendo que este altar é de estilo barroco joanino, ainda com motivos do final do “estilo nacional”. Trata-se pois de um templo em que diversos estilos se conjugam valorizando a arquitectura e o mobiliário existentes. De destacar ainda a imagem da Virgem com o Menino em pedra pintada, de estilo Gótico, que remonta ao séc. XV e que é de uma beleza tocante.
Património móvel: "A Virgem e o Menino”, peça em calcário policromado, Escola Portuguesa, finais do séc. XIV, início do séc. XV. A imagem encontra-se em Colos na igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção. Sendo conhecida localmente sob a invocação de Nossa Senhora da Graça, é possivelmente a primitiva imagem da padroeira da Vila de Colos.


A minha terra


Sobre uma colina nasceu a Vila de Colos...
COLOS, vila alentejana, fica situada numa colina entre montes e montados, é sede de freguesia, pertence ao concelho de Odemira e ao distrito de Beja, com 1500 habitantes (aprox.), dista da sua sede de concelho 28 km e da sua sede de distrito 70km.
A origem  etimológica do nome (COLOS) pode sublinhar–se, terem sido apresentadas as mais diversas explicações. Normalmente, a morfologia do terreno onde está situada identifica a raíz do seu nome que provém de colo.
Outra explicação está em crer que o nome da vila se relacionará com “Quala” fortaleza de origem árabe. Apareceu um documento datado do século XIV que confirma a proveniência arábica do nome.
Colos celebrou em 1999 os 500 anos de elevação a vila e a sede de concelho, através do foral concedido por D. Manuel I, em 26 de Junho de 1499, separando-se do concelho de Sines. Em 20 de Setembro de 1510, recebeu o chamado foral novo. O concelho de Colos foi extinto em 1836, devido à reorganização administrativa, sendo anexado ao concelho de Vila Nova de Milfontes. Só mais tarde, em 1855, quando o concelho de Milfontes foi extinto, Colos viria a ser definitivamente anexado ao já anterior concelho de Odemira. Da freguesia fazem parte as povoações de Campo Redondo, Ribeira do Seissal de Cima, Ribeira do Seissal de Baixo, Vale Rodrigo, Barranco do Bebedouro, Cai Logo e Caeiros, ocupando uma área de 106 km2.
Colos apresenta algum dinamismo económico. Apesar da existência de pequena indústria, comércio e serviços, a agro-pecuária ocupa a maior parte da população activa. A extracção da cortiça conhece aqui alguma importância.
Actualmente as actividades económicas da vila são: a agricultura, a pecuária, a extracção de cortiça, as indústrias (lagar, carpintarias, serrelharias de ferro e alumínio), o comércio (cafés, restaurantes, mercearias, mercado, supermercado, drogarias, bombas de gasolina e casa de móveis) e serviços (oficinas de automóveis e máquinas agrícolas/industriais).
Como notas de interesse turístico, é de referir a arquitectura tradicional da vila e o património religioso, sobretudo na parte mais antiga da vila, com o seu traçado medieval, dentro da antiga linha de muralhas. De acordo com os historiadores e arqueólogos, Colos cresceu a partir do povoado fortificado que se situava no ponto mais alto no cerro.
Fora da vila, um passeio a não perder é à Ermida da Sr.ª das Neves, no Cerro Queimado, perto da aldeia da Ribeira do Seissal de Cima. Do alto do Cerro a paisagem impressiona, alcançando-se um vasto horizonte tanto para a planície a norte, como para a serra a sul. De registar também a antiga Capela de Nossa Sr.ª do Carmo ou da Afincerna e o Moinho do Almarjão.
Uma ilustre figura da nossa História que é natural da freguesia de Colos é o comandante aviador Brito Pais, um dos pioneiros da aviação portuguesa e que, em 1924, iniciou, conjuntamente com Sarmento Beires, a travessia aérea entre Portugal e Macau, com partida de Vila Nova de Milfontes.
A freguesia tem várias colectividades: Sociedade Recreativa Colense, Associação Cultural do Campo Redondo e Ribeira do Seissal, Clube de Caçadores “Os Fixes de Colos” e o Clube de Caçadores e Pescadores da Barragem da Gema.
Em Colos existe também a Congregação das Irmãs do Bom Pastor e um Lar de Idosos que está a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Odemira.
COLOS tem uma bonita Igreja Matriz, Lar de 3ª idade, Junta de Freguesia, Caixa Geral de Depósitos, Posto da GNR, Capela da Misericórdia, Centro de Saúde, Posto de Correio, EB 23, Jardim-de-Infância, Farmácia.