sábado, 28 de abril de 2012

1º Autocross SRC de Colos - Foi há 15 Anos



Assinalou-se dia 27 do mês de Abril 15 anos passados sobre um dos maiores e mais espectaculares acontecimentos ocorridos na Vila de Colos no ultimo quarto de século. No dia 27 de Abril de 1997 realizou-se o 1º Autocoross/ Rallycross da Vila de Colos, denominado na altura por 1º Autocross Ayrton Senna, em homenagem ao malogrado piloto de fórmula 1 que tinha falecido havia apenas 3 anos e de quem todos nós, organização do evento, admirávamos e idolatrávamos.
A ideia em si não era nova, já se realizavam aqui e ali eventos desta natureza. Por aqueles anos, inícios da década de 90 do século passado, já eram famosos autocrosses na Aldeia das Ermidas, patrocinadas pelo Vinho de Conqueiros e promovidas pelo sempre irreverente e dinâmico Armando, mais conhecido pelo Armando dos Alumínios, sempre ao serviço do Clube Ermidense como forma de angariação de fundos para melhoramentos gerais nas infra-estruturas do clube.
Em Colos, um pequeno grupo constituído por mim próprio, pelo Pedro Guerra, pelo Humberto Gonçalves e pelo Ludjero Loução tínhamos o “bichinho” das corridas, como se costuma dizer, sempre fomos entusiastas dos automóveis e das corridas e íamos muitas vezes assistir aos eventos na Aldeia das Ermidas.
Dai até adquirirmos os nossos próprios carros de corrida foi um passo, e logo uma equipa de 3 carros estava formada e pronta a alinhar nas mais emblemáticas provas dói sul do país, que por essa altura já se tinham multiplicado um pouco por todo o lado, Aljustrel, Rio de Moinhos, Canhestros, Aldeia do Sete, Sines, Alvalade, Ferreira do Alentejo, Portimão, etc, etc,,,,, por todo o lado havia corridas desde género para gáudio de todos em especial dos amantes dos rallyes.
Eu próprio e o Ludjero começamos por adquirir um Renault 9 1.4 GTL, que rapidamente “descascamos” e preparamos com os devido Roll Bar e demais acessórios obrigatórios, mas o meu sonho era correr de VW Golf GTI MK1, e tão rapidamente como iniciamos a inusitada sociedade, assim a desfizemos, ficando o Ludgero com o Renault 9.
Rapidamente adquiri um velhinho VW Golf GTI 1.6 MK1, que a bem da verdade já caia de podre.
Meti mãos à obra, o carro foi descascado e preparado ao pormenor, estávamos em 1996 e as corridas multiplicavam-se, eu não via a hora de me estriar ao volante do meu MK1.
A estreia deu-se em Rio de Moinhos, a 8 de Setembro de 1996, mas o carro ainda estava muito “verde”, faltava-lhe as suspensões e corri com umas suspensões mais altas provenientes de um MK2, é claro que o carro mais parecia um canguru que outra coisa, no final de contas deu para aprender muito e ganhei uma taça de 6º lugar, a primeira de muitas.
Em meados de Outubro ou Novembro de 1996, houve o rally Cidade de Beja, prova já mais a sério e com uma organização na sério, mas eu não tinha carro, estava a aguardar pelas suspensões Bilstein entretanto encomendadas.
Acompanhei o Ludjero no seu Renault 9, mas não sabíamos bem no que se íamos meter, chegamos tarde e a más horas, aquilo tinhas regras próprias e os horários eram para se cumprir, o Renault apenas tinha um banco, o do condutor, não utilizávamos co-piloto em autocross, mas aquele era um rally por troços e por isso a organização fez vista grossa e mandou o Ludgero fazer “condução à vista”.
Feitas as contas foi chegar , descarregar o carro, inscrever e alinhar na grelha de partida, tudo na hora.
A prova era constituída por dois troços de classificação, percorridos 2 vezes, num sentido e noutro.
Inscritos deviam ser mais de 20, seguramente, e o Ludjero com o seu Renault 9 de origem “conduzindo à vista” fez um excelente 6º lugar final para inveja e desagrado de muitos que máquina superiores faltavam-lhes o “Kit de Unhas”.
Em Dezembro de 1997 o meu MK1 estava pronto, suspensões Bilstein grupo N, fantásticas, foram estreadas em Ermidas numa prova de má memória pois chovia e a lama obrigou a um esforço suplementar da caixa de velocidades e diferencial, obrigando mesmo a partir a caixa, literalmente, com os carretos do diferencial a saltarem para fora.
Nada de mais, apenas o trabalho de encontrar outra caixa suplente, o que consegui em Portimão, aliás, nesse dia, para alem da caixa de velocidades, passei pelo Rogil e trouxe um motor, uma caixa, transmissões, apoios, braços, cubos, tirantes, coluna e mais uma imensidão de peças suplentes que me iriam ser de grande utilidade no futuro.
Por esta altura já Humberto Gonçalves, amigo de longa data e entusiasta como nós, pensava em adquirir também o seu próprio carro de competição, e a escolha recaiu num Honda Accord 1.6 de 1981, mas cujo motor se revelou insuficiente para os desafios exigidos.
O carro foi completamente revisto e refeito, e uma nova motorização foi adquirida, proveniente de um Rover 216 GTI acidentado, cujo o motor foi retirado assim como toda a parte eléctrico/electrónica e cujos trabalhos de adaptação estiveram a cargo do sempre prestável e grande amigo António Fontainhas, o nosso Fontainhas.
Em meados de Fevereiro de 1997, numa das nossas tertúlias nocturnas, o Ludjero teve a ideia repentina de atirar para ar: E se fizéssemos um rallye em Colos? E porque não? Na altura pertencíamos à Sociedade Recreativa Colense,, eu e o Pedro, e se a memória não me trai, o Humberto também., o que era meio caminho andado para a realização do evento, com as receitas a reverterem para a colectividade. Das palavras aos actos foi um ápice, embora tivéssemos a forte resistência dos demais membros da direcção e corpos gerentes da SRC, mais conservadores e muito adversos a despesas sem retorno garantido.
É claro que um evento desta natureza tem despesas iniciais, avultadas, mas com a clara certeza de retorno mediático e monetário, haja cabeça, (carolice), vontade e certeza do que se está a fazer.
Os preparativos começaram cerca de 2 meses antes, com a procura do terreno ideal, que foi encontrado a 2 km da Vila, na ponta sul da Herdade da Ferraria, era o sitio ideal, porque estava vedado e apenas tinha um acesso, logo todos tinham de por lá passar, obrigatoriamente. Podíamos assim colocar a bilheteira e tratar dos estacionamentos nos terrenos contíguos
O próximo passo foi realização da pista propriamente dita, porque o terreno apenas não nos servia para nada.
Para isso foi pedido o auxilio da Senhora Presidente da Junta de Freguesia de Colos da Altura, Sra. Felicidade, que foi de uma exemplaridade e simpatia inexcedíveis, tratando de falar com a Câmara Municipal para a cedência de uma máquina Moto niveladora e assim podermos iniciar e acabar a pista de autocross de Colos, trabalhos que ficaram concluídos num final de semana sempre sob as minhas indicações, de salientar aqui o excelente trabalho do maquinista, incansável na boa execução dos trabalhos por mim indicados no terreno, o meu obrigado a ele. Tendo terreno a data escolhida foi 27 de Abril 1997, um Domingo que se esperava soalheiro e concorrido a terras da Ferraria. De seguida precisávamos promover o mais possível o evento, através de publicidade e divulgação, e procurar parceiros comerciais e sponsors que pudessem injectar dinheiro na realização do evento.

Para isso foi delineada uma linha de acção que passava pela realização de cartazes publicitários onde aparecessem, para alem do programa do evento, todos os nossos patrocinadores, dando assim visibilidade e retorno a todos os que em nós acreditaram.
A data estava escolhida, os cartazes delineados, a publicidade procurava-se, e de Colos a Odemira, do Cercal a Beja, conseguimos mais do que esperávamos, preenchendo todo o cartaz e sobrando para outras coisas.
Tivemos a ideia de tentar encontrar um patrocinador da grelha de partida, com direito a bandeiras e tudo, publicidade e visibilidade máxima por um preço superior.
Encontrámo-lo no Novo Stand, empresa recente sediada em Cercal do Alentejo, de compra e venda de automóveis e em franca expansão, que apostava muito na altura em divulgação e publicidade, foi a cereja no topo do bolo.
Firmamos um acordo, num jantar de boa memória, onde eu próprio e o Pedro Gonçalves, juntamente com os responsáveis do Novo Stand, nos comprometíamos a ceder todo o espaço envolvente à pista de autocross para colocação de automóveis novos e usados e a publicidade da grelha de partida, assim como a colocação de bandeiras em todo o espaço da pista, tudo isto por um valor que ultrapassou as centenas de contos na altura ( alguns milhares de euros na moeda actual), para dois “gaiatos” de vinte e poucos não foi assim tão mal
O dia 27 começou mal, chovia, eu nervoso, acusei a pressão e quase que me ia abaixo (acho que fui ainda por alguns momentos), não que a chuva atrapalhasse muito o autocross propriamente dito, mas retirava público e isso retirava receita, a nossa principal preocupação depois do forte investimento.
No final de contas o dia melhorou, os concorrentes apareceram e o publico compareceu em massa, o único senão foi a escassez de pilotos à partida, apenas 16 pilotos repartidos por 3 classes, mas o espectáculo, esse estava assegurado.
A GNR foi devidamente avisada, tínhamos seguro de prova e tudo estava de acordo com a lei da altura, pelo menos que nós soubéssemos
Com o acordo da GNR e sob sua escolta todos os automóveis de competição puderam dar uma volta dentro da localidade, coisa inédita e talvez nunca mais vista por estas bandas, o barulho era infernal, escapes livres, aranhiços, pneus a chiar, derrapagens, tudo o que se possa imaginar numa situação destas, e com o aval e escolta da GNR, façam lá melhor se conseguirem…..

A prova desenrolou-se de maneira normal, apenas uns sacanas de uns algarvios malucos num Nissan Sílvia saíram fora de pista propositadamente assustando os presentes mas rapidamente postos na ordem pela GNR, nada mais a assinalar neste dia excelente, com muito público entusiasta por este tipo de corridas.
Nem vou falar em vencedores ou vencidos, o que interessou mesmo foi ter a uma ideia, desenvolve-la e coloca-la em pratica, executando-a de forma exemplar e angariando uma boa verba monetária para a nossa colectividade, afinal era isso que importava, divertir-nos e ajudar o nosso clube da melhor forma possível.
É claro que isto tudo meteu uma boa, grande, dose de carolice, eu próprio e o Pedro Gonçalves, como responsáveis máximos, do “alto” dos nossos vinte e poucos arriscamos muito, mas mostramos que é possível quando se acredita.
Só para terem uma ideia do trabalho que deu a preparar tudo eu e o Pedro tiramos a semana antes da data apenas para tratar de tudo o que fosse necessário, abdicando dos nossos dias de trabalho em prol do clube, enfim, coisas raras hoje em dia e talvez estranhas à maioria. Outros autocrosses se seguiram, nova data foi marcada para 14 de Setembro de 1997, e esse sim foi um grande sucesso, com mais publico e muitos mais concorrentes, cerca de 70 carros inscritos e muita receita de bilheteira e inscrições e bar, outros tempos, outras vontades, outras deposições.
O ultimo dos autocrosses que se devia ter realizado foi proibido pelas autoridades competentes, Governo Civil e GNR, talvez por excesso de fama e excesso de divulgação, começamos a ser tão bons e a ganhar tanto dinheiro que alguém tinha de nos parar ou ganhar também alguma coisa com isso, optaram pelo encerramento da pista e organização porque de chulos estávamos fartos, mas mesmo assim, sem se realizar, deu lucro
15 anos se passaram, 15 anos mais velhos, 15 anos de sonhos desfeitos, de amarguras, de desilusões e inimizades, 15 anos para pior, 15 anos de regressão onde a única coisa positiva foi a compra da antiga padaria, possível ainda muito devido ás centenas de contos angariados pelos tais autocrosses duvidosos e mais três mil contos angariados numa conversa tida por mim com o vereador da cultura e desporto da altura, outros tempos, outras vontades, memórias perdidas porque a memória do homem será sempre curta.


Obrigado a todos aqueles que comigo percorreram aquela estrada, naquele tempo onde a vida ainda nos parece gloriosa, maravilhosa e divertida e me ajudaram a crescer, sonhar e viver.
Ao deixar aqueles tempos para trás, percebo o que fiz do meu caminho, como é bom sentir medo e ter com quem que me encorajar, tendo, a cada momento, mais razões para agradecer a vitória conseguida.
Foi aquela idade inquieta e duvidosa, que não é dia claro e já é alvorecer; entreaberto o botão, entre fechada na rosa, um pouco de menino, um pouco de homem.

Obrigado a todos os que comigo trilharam este capitulo da Sociedade Recreativa Colense e da história da Vila de Colos. A memória é curta mas vive naqueles que a recordam!

Obrigado especial ao Pedro Gonçalves, ao Ludjero Loução e ao Humberto Gonçalves, que juntamente comigo, sempre acreditaram que as coisas podem ser diferentes quando um homem quer, e querer é poder!
Obrigado pessoal

domingo, 22 de abril de 2012

A Decadência da SRC - Haverá futuro?



O povo português tradicionalmente sempre encarou o associativismo e funcionamento de um qualquer clube ou associação de uma maneira muito pouco participativa, especialmente o associativismo amador e de interior, provinciano e bairrista.
 Eu arrisco-me até a pensar que muitos aplicam a famosa ideia que quem vive nas cidades é que é inteligente e os restantes não o são, mas isso são contas de outro rosário talvez para um próximo postal. Continuando, elegem-se uns “sacrificados” que, ao que tudo indica, amam a causa em questão, sempre com grande apoio inicial, geralmente unânime, e depois eles que façam o que quiserem. Uma lista de direcção de uma qualquer colectividade não pode, não devia, formar-se em “cima do joelho”, com a maioria dos elementos apenas para fazer número, o problema primário começa aqui.
O problema secundário vem depois passados alguns meses, o estado de graça passa e se as coisas não são feitas ao nosso gosto restrito e particular, começam as criticas, primeiro disfarçadas e depois rapidamente evoluindo para as mais descaradas ou inconvenientes.
Tudo isto até novas eleições para depois entregar o poder aos mesmos ou parecidos e recomeçar o ciclo.
É esta a maneira de quem não gosta de assumir responsabilidades e criticar quem tem coragem de o fazer.
Em Colos temos a Sociedade Recreativa Colense (SRC), e tudo isto de aplica, e até podia servir de desculpa ou explicação, mas no caso da SRC a coisa, na minha opinião, é mais grave!
Uma colectividade do género da SRC é dos sócios, todos os outros serão, deveriam ser, considerados forasteiros ou não sócios, e a SRC deve viver dos sócios e para os sócios, nunca contra os sócios, e não devendo nem esquecendo que existe uma coisa que se chama estatutos e que deviam ser seguidos como forma máxima de regulamento interno e forma de funcionamento.
Neste momento a SRC vive mais dos não sócios do que dos sócios efectivos, vive de grupinhos e serve propósitos muito desviados da sua vocação recreativa, desportiva e cultural, sempre, repito, para os sócios, depois sim, vem a restante população e forasteiros.
Chega ao ponto de muitos sócios, antigos e menos antigos, se gabarem não pagarem cotas, como se isso fosse motivo de orgulho, ou chegarem ao ponto de afirmarem que não colocam lá os pés, na sede da SRC, vai para tantos anos, 10, 20, os que sejam, ora isto é uma vergonha e deveria fazer pensar os responsáveis, não como forma imediata de resolução, isso é impossível, mas como tema de agenda de todas as direcções, sejam elas quais forem.
Por exemplo, os critérios de entrada de novos sócios, quais são? Como são tomadas as decisões de aceitação? Toda a gente sabe que existe uma proposta de sócio que é afixada publicamente na vitrina durante um determinado período de tempo e no fim a pessoa é aceite como sócio efectivo.
Neste processo não existe nada que faça pensar os responsáveis? Ou até mesmo os restantes sócios? Aceita-se tudo, é do tipo “o que vier à rede é peixe”, brancos, pretos, estrangeiros, velhos, novos, mestiços, forasteiros, foras da lei, presidiários, etc, etc, etc.., tudo serve para fazer número nos cadernos de sócios, mesmo que depois as cotas fiquem por pagar mas as pessoas fiquem com o estatuto de sócios. Já só falta aceitarem cães e gatos e restantes animais.
Os sócios tradicionalmente frequentadores e participativos da vida da colectividade são e continuam a ser sistemática e progressivamente “afastados” não porque alguém os mande embora, mas porque o fosse de gerações é visível e o ambiente deixa de ser o ideal para que todos se sintam bem e possam conviver.
Assim o divórcio entre sócios e colectividade é real, não é fantasia, e para quem gosta de exercícios temporais e não tem memória curta, como a maioria, basta ver o actual funcionamento da actual SRC e fazer uma comparação com um passado mais ou menos recente ou até mais afastado.
À cerca de dez ou quinze anos atrás ainda era possível ver varias gerações de sócios frequentadores da colectividade na conversa, a jogar cartas, damas, bilhar ou simplesmente a beber alguma coisa, convivendo numa harmonia geracional que apenas a SRC promovia e que era quase um exclusivo, porque tratando-se de um clube privado, dos sócios, todos tinham a sensação de ali pertencerem de alguma forma, aquilo era efectivamente de todos, coisa que no presente desapareceu por completo. Acabou a mística, sim, a SRC tinha mística, sempre teve desde que me lembro, era eu gaiato e por exemplo os dias de projecção de filmes de cinema na parede de fundo da sala principal eram dias mágicos, geralmente uma vez por mês o projeccionista ambulante passava por Colos e a SRC era a sala de projecção.
Podíamos finalmente entrar na SRC, à noite, e ver um filme de verdade, e beber um Sumol no intervalo, e no fim íamos para casa e sonhávamos com mil aventuras de karaté ou cowboys.
Nos fins de semana, tínhamos o futebol, distrital, claro, porque essa coisa da Inatel era para os outros, e novamente a magia voltava, em casa ou fora a equipa do Colos era sempre competitiva, sempre aguerrida, sempre temida, suava a camisola e deixava tudo em campo, mesmo que os jogadores fossem de Sines ou lá de onde fossem, eram os tempos em que os homens ainda os tinham no sitio e jogava-se pelo amor à camisola mais do que tudo.
Eram as deslocações por esse Alentejo, com a equipa, em autocarros e excursões, pois por esses tempos realidade actual de um automóvel por pessoa era uma fantasia.
Era a mística sim senhor, a SRC servia de transição e escola de homens, transição da adolescência para a idade adulta, para a primeira cerveja, a primeira bebedeira, muitas vezes o primeiro beijo num qualquer baile.
Um dos problemas hoje em dia é a transição cada vez mais tardia para a idade adulta, sendo a maioria homens-moços com pouca ou nenhuma responsabilidade, alargando assim o fosso abismal entre gerações e contribuindo para o actual estado de coisas.
Os jovens de hoje, em Colos, ao contrário de antes, é vê-los passar na rua sem entrar, pouco ou nada têm para fazer na SRC, não existe oferta de actividades para os mais jovens, a SRC passou a funcionar apenas como mais um café, para não dizer uma tasca, e nem é dos melhores, até para o simples forasteiro que aparece e entra custa a perceber o que é aquela casa, é um café, mas ao mesmo tempo parece que já foi outra coisa, enfim, deixa lá beber a cervejita que até é mais barata aqui e o resto não importa.

Camaradas, forasteiros só deveriam ter entrada na companhia de sócios e nunca sozinhos e muito menos em frequências continuadas e fazer sala sempre que lhes apetece.
Costuma-se dizer que tudo o que nasce, cresce e desenvolve-se, como uma árvore por exemplo, e floresce ao longo de anos, décadas ou séculos, sempre a crescer, pelo contrario tudo o que não cresce, diminui, estagna e morre, a SRC não foge à regra, já foi melhor, já foi maior, necessita de ser refundada, na forma, no pensar, na atitude, necessita de ideias, pensamentos, actividades.
Existe espaço para crescer fisicamente, a sede necessita de ser ampliada, neste momento somos uma das colectividades mais antigas do concelho mas na mesma proporção somos das mais mal equipadas em termos de infra-estruturas.
A actual crise não pode servir de desculpa para a imobilidade, existem formas de angariar fundos, assim hajam objectivos concretos.
Nunca foi realmente discutido com os sócios o tema de ampliação da sede, ou da realização de uma nova sede, eventualmente, existiram algumas ideias, existiu até um projecto concreto mas megalómano e recentemente um projecto modesto mas realista com fim a aproveitar o espaço do quintal, concorreu-se ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Odemira (CMO), mas o projecto não se enquadrava nas regras, e logo se baixou os braços e abandonou-se a ideia, ora assim não, nunca se pode baixar os braços, nunca se pode desistir de lutar, as ideias são possíveis e realizáveis, haja vontade.
O campo de futebol deveria ser outro cavalo de batalha, a SRC não possui um campo de jogos, mais, Colos não possui, neste momento um campo de jogos digno desse nome, é uma vergonha se pensarmos que até o Campo Redondo já possui essa valência, bem, já só falta a SRC ter de ir jogar no Campo Redondo em campo emprestado, era a derradeira vergonha!
Contactos reais para resolver o problema existiram no passado, em meados de 1997 tentou-se comprar o actual terreno do campo de jogos, mas a falta de verbas e intransigência do proprietário impossibilitaram a resolução do problema.
Dessa época até hoje nada foi feito para colmatar a degradação do campo de jogos e balneários, a CMO prometeu um novo campo nos terrenos adquiridos para a Escola Básica Integrada, mas mais uma vez não passaram de promessas eleitorais, neste momento a ideia de construção de um novo campo de futebol é quase uma miragem, dizem os responsáveis camarários que os projectos dessa natureza chegam aos 400.000 euros, e que é impossível de realizar actualmente por evidente falta de verbas. Ficamos a perder, mais uma vez.
A solução será mesmo a aquisição do actual campo de jogos e a realização de uns novos balneários, penso eu que seria a ideia ideal e executável.
Não obstante o futebol será sempre um desporto rei, e devia ser sempre acarinhado e desenvolvido desde as mais tenras idades, por forma a ter equipas de formação e equipas de competição a um nível mediano no futuro.
O futebol actual, na Inatel, é uma vergonha, diga-se de passagem, e a equipa da SRC este ano esta a anos luz das magnificas equipas das décadas de 80 ou até mesmo de algumas equipas de há bem poucos anos atrás, atrevo-me a dizer que esta será a pior época de sempre da SRC no futebol, envergonhando as mais gloriosas equipas que já envergaram esta camisola no passado, apenas o facto de terem “descansado” alguns anos desculpa de alguma forma a vergonhosa falta de resultados e o ultimo lugar na tabela classificativa, mas têm um mérito, utilizam a “prata da casa”, jogadores de Colos, da terra, e esse deve ser o espírito sempre, primeiro nós, sempre.
Outras modalidades deveriam ser acarinhadas e desenvolvidas, desportivas e recreativas, estou a lembrar-me do atletismo, do futsal, do tiro ao alvo, bilhar, setas, cartas, etc, etc, como forma de oferta ao sócios, de cultura e ocupação de tempos livres, ao fim ao cabo a verdadeira origem e vocação da SRC.

Ultimamente outras questões de têm levantado, parece que todos os dias existe alguma coisa nova a relatar na SRC, sempre para pior, porque melhoras não dão sinais de existirem, é assim como uma antevisão do governo central, que apenas sabe dar noticias e comunicados ruins, de novo nada de bom.

Há dias uma altercação dentro das instalações ao que parece fez andar tudo numa roda viva, uns a cavalo noutros sem se saber bem quem tem razão ou não, o que até era o que menos interessava, o problema é a forma crescente como estas situações vêem sendo tratadas pelos órgãos directivos.
Por qualquer situação já uns quantos membros dos grupelhos do costume caem em cima do suposto meliante e o agarram de forma agressiva sem mais demoras ou previas conversas.
O mais grave depois é que se castiga os supostos prevaricadores e os outros ficam incólumes, como se nada fosse.
Existe uma coisa que se chama estatutos e são o regulamento interno da SRC, e se alguns dos senhores membros da direcção e restantes sócios nunca os leram, aconselho uma leitura para ficarem bem elucidados de que a SRC não é um qualquer café de esquina, e todos os actos têm consequências, todos os sócios têm deveres e regalias.
Culpados são também a direcção, esta e as anteriores, por cada sócio novo devia haver mais critérios de escolha e mais selecção, e por todos aceites deveria ser entregue uma cópia dos estatutos, evitava algumas coisas ou deixavam de ter desculpa outras.
É caricato, para não dizer pior, que o presidente da colectividade, envolvido em cenas de pugilato dentro das instalações, venha depois aparecer com uns castigo para ele próprio quando os estatutos dizem isto:

art.º 28 dos estatutos da SRC : " Só a assembleia geral tem poderes para aplicar sanções a membros dos corpos sócias … " 
Depois diz o art. 35 , nº 1 alínea a : " Perdem o mandato os membros dos corpos gerentes que abandonem o lugar , peçam a demissão ou aqueles a quem forem aplicadas as seguintes sanções : a) Suspensão até três meses " 
Perante isto a actual direcção não tem condições para continuar em funções e se tivessem juízo e vergonha já se tinham demitido.
Outra questão, no mínimo esquisita, dentro da SRC, é o aparecimento a esta parte de vários cornos pendurados nos mais variados sítios do interior da sede da colectividade.
Ora considerando eu ser talvez uma falta de respeito para alguns dos sócios frequentadores, entendam eles como quiserem, e como não sou pessoa de deixar as coisas a meio, proponho a compra da colecção do presidente da Associação dos Homens Mal Amados do Ceará, Brasil José Adauto Caetano, 63 anos, decidiu vender a sua colecção de chifres. «São 70 peças e acompanham três mil livrinhos sobre todos os tipos de corno. Tem troféu de chifre e cabide de chifre», enumera, citado pelo portal de notícias..
O coleccionador de cornos só vende a colecção na íntegra e não está interessado em compradores para peças individuais. Está a pedir cerca de 6230 euros por toda a colecção.
«A primeira e única colecção de chifres do mundo é a minha», relembra com orgulho, acrescentando que resolveu vender porque «dá muito trabalho a limpar».
«Se for para um corno, melhor ainda, porque já faz parte da família», sublinhou.
Associação dos Homens Mal Amados do Ceará foi criada para lutar contra a agressão às mulheres. Tem 10 mil associados, orgulhosos da condição. José Adauto Caetano é um deles: «Não tenho como deixar de ser corno nunca».
Senhores responsáveis pelos ditos enfeites, o que estão a esperar para agarrar tão feliz oportunidade de fazer crescer a colecção já de si tão exuberante para quem visita a nossa sede

Viva a Sociedade Recreativa Colense